
Capítulo 169— A Perseguição Misteriosa, o Ladrão de Bolachas e Três Gatos Sem Convite!
Depois de mais uma visita ao cemitério que lhes tinha dado mais perguntas do que respostas, a irmandade decidiu regressar a casa.
Quer dizer… o Fenando e o Jacks decidiram. O Alberto vinha com eles em corpo, porque em pensamento continuava algures entre a fortuna perdida, a invenção misteriosa e as últimas palavras do pai.
— Alberto, estás a ouvir? — perguntou Fenando.
— O meu pai disse que eu inventei uma coisa extraordinária…
— Sim, já sabemos — respondeu Fenando. — Se continuares a repetir isso, ainda vamos descobrir que inventaste a roda e te esqueceste de a usar!😂😂
Alberto nem reagiu.
Jacks aproximou-se de Fenando e murmurou:
— Acho que o Alberto precisa de uma bolacha.😂😂😂
— O Alberto é um fantasma, Jacks!
— E então? Nunca viste um fantasma com fome? Além disso, se não comer a bolacha, sobra mais para mim.🤣🤣🤣🤣
Fenando fechou os olhos por uns segundos, provavelmente a pedir paciência ao universo. Ou a pedir que alguém levasse o Jacks para adoção temporária.🤣🤣🤣
Foi então que aconteceu.
Passos atrás deles.
Fenando parou imediatamente.
Jacks também parou, embora tenha aproveitado para cheirar o chão, porque nunca se sabe quando aparece uma migalha providencial.
Os passos pararam.
Eles avançaram.
Os passos avançaram também.
Fenando olhou para Jacks. Jacks olhou para Fenando.
Alberto continuava a caminhar, perdido nos seus pensamentos.
— Estamos a ser seguidos — sussurrou Fenando.
Jacks arregalou os olhos.
— Eu sabia!
— Sabias o quê?
— Que alguém nos queria roubar as bolachas!😂😂😂
Fenando revirou os olhos com tanta força que, por pouco, não viu o próprio cérebro😂.
— Jacks, porque raio haveria alguém de nos perseguir por causa de bolachas?
— Porque são bolachas especiais. As últimas que sobraram do pacote!
— Ah, claro. Uma organização criminosa internacional dedicada ao roubo de bolachas. Como não pensei nisso antes?
Sem fazer barulho, os dois esconderam-se atrás de uns arbustos. Alberto, entretanto, continuou a andar sozinho durante alguns metros, até perceber que estava a falar consigo próprio.
— Estranho… Onde estão os outros?
Olhou para a esquerda. Para a direita. Depois voltou a olhar para o chão, como se as respostas pudessem estar escondidas entre as pedras.👻
— Se calhar, desapareceram também…
E voltou a pensar na sua fortuna.
Atrás dos arbustos, Fenando fez sinal a Jacks para ficar calado.
Jacks respondeu com um aceno solene.
Três segundos depois, espirrou.
— Saúde! — disse uma voz baixinha, vinda do outro lado dos arbustos.
Fenando ficou imóvel.
Jacks deixou cair a mandíbula.😅👀
Devagarinho, muito devagarinho, Fenando espreitou.
E lá estavam eles.
Os três gatinhos do cemitério!
O primeiro corria em círculos à volta de uma árvore. O segundo tentava meter a cabeça dentro de um vaso. O terceiro estava sentado, tranquilíssimo, a olhar para eles com a expressão de quem já tinha escolhido o sofá onde ia dormir.
Fenando saiu do esconderijo e cruzou os braços.
— A resposta está à nossa frente! São os três gatinhos!
Jacks espreitou por cima do ombro dele.
— Então não querem as bolachas?
— Não, Jacks!😂😂
— Tens a certeza? O terceiro tem cara de quem come bolachas às escondidas.😁😁
O gatinho levantou-se, aproximou-se de Jacks e cheirou-lhe o bolso.
Jacks deu um salto.
— ESTÁ AÍ! ELE SABE ONDE AS GUARDO!😂😂
— Tu não guardas bolachas. Tu escondes-as durante cinco minutos e depois comes tudo! — respondeu Fenando.
O terceiro gatinho sentou-se aos pés de Jacks e miou baixinho.
Jacks ficou emocionado.
— Fenando… acho que ele gosta de mim.
— Ele cheirou as tuas bolachas.
— O amor manifesta-se de muitas maneiras.😂😂😂
Fenando voltou-se para os três pequenos fugitivos.
— Muito bem. Agora expliquem-me uma coisa: porque é que nos estão a seguir?
O primeiro gatinho deixou de correr por um instante, olhou para Fenando e voltou a correr.
O segundo tirou a cabeça do vaso.
O terceiro respondeu, com a maior naturalidade do mundo:
— Porque vocês sabem onde há comida.
Fenando ficou em silêncio.
Jacks sorriu, orgulhoso.
— Vês? Afinal, a minha teoria das bolachas não estava assim tão longe!
— Estava a mil quilómetros de distância, Jacks!🤣🤣🤣
Fenando respirou fundo e olhou para os três pequenos intrusos.
— Temos um problema. Não os podemos levar para casa!
Jacks inclinou a cabeça.
— Porquê?
— Porque não temos autorização, não sabemos de quem são, não sabemos se têm dono e, sobretudo, porque a miúda gira vai fazer perguntas!
Jacks pareceu pensar seriamente no assunto.
— Podemos dizer que vieram no pacote das bolachas.
Fenando ficou a olhar para ele.
— Sim, Jacks. Três gatos grátis, oferta especial na compra de um pacote de bolachas. E ainda trazem um vaso de brinde!😂😂😂
Entretanto, Alberto finalmente apareceu, com a expressão de quem tinha acabado de regressar de uma viagem mental de três séculos.
— O que se passa aqui?
— Estamos metidos em sarilhos! — declarou Fenando.
— Que sarilhos?
Jacks apontou para os gatinhos.
— Encontrámos três novos membros para a irmandade!
— Não encontrámos nada! — protestou Fenando. — Eles é que nos perseguiram!
Alberto olhou para os pequenos felinos, depois para os companheiros.
— E agora?
Fenando suspirou profundamente.
— Agora temos três opções: deixá-los aqui, procurar saber se têm dono ou levá-los para casa e enfrentar a miúda gira.
Jacks levantou imediatamente a pata.
— Voto na terceira!
— Claro que votas! — respondeu Fenando. — Tu votavas em levar uma família inteira de ursos para casa se acreditasses que sabiam fazer croquetes!
Alberto, que continuava com a cabeça cheia de perguntas sobre o pai e a sua misteriosa invenção, olhou para os gatinhos.
— Talvez eles nos possam ajudar a descobrir alguma coisa…
Fenando virou-se lentamente para ele.
— Alberto, são três gatos!
O terceiro gatinho aproximou-se do jazigo portátil da memória de Alberto — ou seja, da sua cabeça — e ficou a olhar para ele com um ar estranho.
Depois, sem aviso, disse:
— Crespo…
Os três ficaram petrificados.
Alberto empalideceu, o que era particularmente impressionante num fantasma.
— O que disseste?
O gatinho bocejou.
— Nada. Tenho fome.
Fenando olhou para Jacks.
Jacks olhou para Fenando.
E Alberto voltou a ficar a olhar para o vazio.
Porque, aparentemente, naquela irmandade, até os gatos sabiam mais sobre o passado de Alberto do que o próprio Alberto!
😺🐶👻Os pensamentos da irmandade
😺Fenando: «Eu só queria investigar um mistério. Agora tenho três gatos atrás de mim, um cão obcecado por bolachas e um fantasma com amnésia. Preciso de férias, de um aumento e de uma porta com fechadura.»😂😂😂
🐶Jacks: «Os gatinhos são adoráveis. Talvez a miúda gira nem repare que são mais três bocas para alimentar. E, se alguém perguntar pelas bolachas, nego tudo.»😂😂
👻Alberto: «O gatinho disse Crespo… Será que sabe alguma coisa sobre mim? E porque é que o meu pai me deixou tantas perguntas? Tenho de descobrir a verdade, antes que até os gatos saibam mais sobre a minha vida do que eu.»👻
Continua… 🕵️♂️❤️😂
Com carinho,
Carla Milho,
As confissões de uma miúda gira 🥰❤️







