
Há dias em que a vida rasga, sem pedir licença… Sem delicadeza…
Abre-nos por dentro como quem procura a costura mais antiga e coloca lá os dedos.
E depois há dias em que somos nós a remendar-nos.
Devagar, com a paciência que só nasce
de quem já se viu partir e, ainda assim, continuou.
Aprendi que não há força alguma em fingir que nada dói. A força está em permitir que o rasgão respire,
em aceitar que crescer é também perder camadas,
deixar cair versões que já não nos servem.
Remendar-me não é voltar ao que era, mas ajustar o que ficou, é coser a nova pele com fio mais firme,
é reconhecer-me nas cicatrizes sem me reduzir a elas.
Viver é isto… Partir um pouco, reconstruir outro pouco
e seguir em frente como quem sabe que a beleza nunca esteve na perfeição da história, mas na coragem discreta de continuar a tecer.
Carla Milho as confissões de uma miúda gira 🥰❤️