

Quem olhar para esta fotografia poderá pensar que é apenas um momento divertido. E é. Foi tirada num dia bom. Um daqueles dias que a doença nos permitiu viver com mais leveza, em que o cansaço deu uma pequena trégua e conseguimos simplesmente… ser nós.
E esses dias merecem ser registados. Não porque a luta tenha terminado, mas porque nos lembram que ela não nos define por completo.
Por detrás destas caretas continuam a existir consultas, tratamentos, exames, dias de incerteza e uma luta diária contra a leucemia. Continua a existir a esperança de que, algures, haja um dador compatível capaz de oferecer a oportunidade de um transplante e de um novo capítulo na nossa história.
Não sorrimos porque tudo está bem. Sorrimos porque aprendemos que, quando a vida nos oferece um dia bom, devemos vivê-lo por inteiro. Sem culpa. Sem medo de parecer que esquecemos a realidade.
A realidade continua presente. A luta continua. A procura por um dador compatível continua a ser urgente.
Por isso, se este texto chegar até ti, peço-te que dediques alguns minutos a conhecer o processo de inscrição como dador de medula óssea. Um gesto tão simples pode representar a esperança que uma família inteira espera encontrar.
Nós continuaremos a fazer a nossa parte: lutar, acreditar e guardar no coração estes dias bons. Porque são eles que nos dão força para enfrentar os dias mais difíceis.
E, de vez em quando, fazer uma careta para a fotografia também é uma forma de dizer à doença que ainda não nos roubou a alegria de viver.❤️🙏💙
Carla Milho as confissões de uma miúda gira 🥰❤️