

Onde está o dador? Ninguém sabe…
Uma das perguntas que mais me fazem é: “O dador tem de ser português?”
A resposta é simples: não.
Segundo a informação que nos foi transmitida por profissionais do IPO, a maior probabilidade de encontrar um dador compatível para um doente português surge, muitas vezes, na Alemanha. Não porque exista uma regra, mas porque é um dos países com um enorme registo de dadores e porque, na experiência clínica, aparecem frequentemente compatibilidades entre pessoas dos dois países.
Mas isto não significa que o dador esteja obrigatoriamente na Alemanha.
A procura é feita a nível mundial. Cada pessoa possui uma genética única e uma combinação de marcadores de compatibilidade muito própria. O dador ideal pode estar em Portugal, em Espanha, na Alemanha, no Brasil, nos Estados Unidos, no Japão… ou em qualquer outro lugar do mundo.
Há também outra ideia que gostava de desmistificar.
Muitas pessoas não se inscrevem como potenciais dadoras porque acreditam que doar medula óssea é um procedimento muito doloroso. Na realidade, a doação é, na grande maioria dos casos, realizada através da recolha de células estaminais do sangue, um procedimento seguro e semelhante a uma dádiva de sangue, embora um pouco mais demorado.
Por vezes, o medo nasce do desconhecimento. E é uma pena que isso aconteça, porque um gesto tão simples pode representar a esperança de uma família inteira.
É precisamente por isso que é tão importante existirem cada vez mais pessoas inscritas como potenciais dadores de medula óssea. Quanto maior for a base de dados internacional, maior será a probabilidade de alguém, algures no mundo, encontrar a pessoa que lhe pode dar uma segunda oportunidade de vida.
Nunca sabemos onde está essa compatibilidade. Sabemos apenas que, para alguém, ela existe.
E talvez esteja à espera de ser encontrada.
Porque, no dia em que decidimos ajudar alguém que nem conhecemos, descobrimos que a solidariedade também corre nas nossas veias
Com carinho,
Carla Milho,
As confissões de uma miúda gira 🥰❤️