

Durante muito tempo achei que, para ser feliz, primeiro tinha de resolver tudo.
Ter a casa impecável.
A vida organizada.
Os problemas arrumados.
As dúvidas esclarecidas.
A roupa passada.
E as meias… de preferência aos pares.
Entretanto, a vida olhou para mim e deve ter pensado:
“Coitada… ainda acredita nisso.”
Hoje a minha casa continua a ter dias em que parece que passou por lá um pequeno vendaval.
Há cadeiras que servem de cabides.
Há gavetas que fecham por milagre.
E há uma misteriosa meia que continua desaparecida há anos. Desconfio que fugiu com uma tampa de um tupperware.
Mas sabes uma coisa?
A felicidade nunca me visitou porque o chão brilhava.
Ela apareceu quando a casa estava cheia de gargalhadas.
Quando um abraço chegou sem ser preciso pedi-lo.
Quando um café foi partilhado sem pressa.
Quando alguém disse: “Como estás?”… e esperou realmente pela resposta.
A felicidade nunca exigiu perfeição.
Exigiu presença.
Talvez seja por isso que hoje já não me preocupo tanto com as pequenas desarrumações.
Há coisas muito mais importantes para manter em ordem.
Como o coração.
Esse, sim, merece atenção todos os dias.
E, se por acaso encontrares uma meia perdida por aí… avisa-me.
Começo a achar que ela anda a viver uma vida secreta.
Com carinho,
Carla Milho,
As confissões de uma miúda gira 🥰❤️
Chronicles of a Cool Girl
Chapter 8 – Happiness Doesn’t Live in Perfect Houses
For a long time I thought that, to be happy, I first had to fix everything.
Have the house spotless.
Life organized.
Problems sorted out.
Doubts cleared up.
Clothes ironed.
And socks… preferably in pairs.
Meanwhile, life looked at me and must have thought:
“Poor thing… she still believes that.”
Today, my house still has days when it looks like a small tornado went through it.
There are chairs that serve as clothes hangers.
There are drawers that close by a miracle.
And there is a mysterious sock that has been missing for years. I suspect it ran away with a tupperware lid.