
Capítulo 17 – O Grande Dilema da Humanidade: “O Que É Que Se Faz Para o Jantar?”
Hoje aconteceu-me outra daquelas coisas…
Eram seis da tarde, a hora em que o cérebro já está em modo de poupança de energia, e cometi o erro fatal de abrir o grupo de WhatsApp da família com a pergunta mais perigosa do mundo:
“O que é que se faz para o jantar hoje?”
Silêncio absoluto. Podia jurar que ouvi um arbusto a rebolar pelo ecrã do telemóvel.
Passados dez minutos, começam as respostas. E é aqui que percebemos que gerir as expectativas gastronómicas de uma família devia contar como fomento de competências diplomáticas no currículo.
- O “Tanto Faz”: Há sempre um elemento que responde “por mim, qualquer coisa serve”. Mentira. Uma cilada pura. Se sugeres sopa e massa, afinal “ah, mas isso pesa muito à noite”. Se sugeres uma salada, “mas isso é comida de coelho”. O tanto faz é o maior poço de exigência oculta da história.
- O Esquisito com Ideias de Chef: Aquele que sugere algo que exige três horas de preparação, duas idas a um supermercado gourmet e um ingrediente que só se encontra nos Himalaias. “Olha, e se fizesses aquele salmão braseado com crosta de sésamo e redução de maracujá?” Sim, claro. E depois quem é que limpa a cozinha? O MasterChef de bancada?
- O Desconectado da Realidade: Que sugere alegremente “faz uns bifinhos!”, esquecendo-se de que a última vez que vimos carne crua no frigorífico foi na passada terça-feira.
Olhei para o frigorífico. O frigorífico olhou para mim. Lá dentro, uma luz brilhante iluminava meio frasco de maionese, um iogurte fora do prazo por dois dias (que eu fingi não ver) e um resto de massa de véspera que claramente não alimentava toda a gente.
Abri o congelador com aquela esperança ingénua de encontrar uma lasanha mágica que se materializou sozinha. Nada. Só cubos de gelo e um saco de ervilhas que está ali desde o paleolítico.
A verdade é que a pergunta “o que é o jantar?” tem o superpoder de transformar pessoas adultas e perfeitamente funcionais em crianças indefesas. Parece que decidir o menu do dia gasta mais energia do que o dia de trabalho inteiro.
A cozinha não tem de ser sempre um feed de Instagram perfeito. Há dias em que a humildade bate à porta e a ementa é ditada pelo que há, e não pelo que se quer.
Por isso, ativei o meu superpoder de gestão de crise. Desliguei o WhatsApp, ignorei as sugestões gourmet e decretei a sentença da noite:
“Hoje há o Menu ‘O Que Houver’. Pegam no pão, pegam no queijo, fazem uma sesta mental e toda a gente fica feliz.”
No fundo, o segredo de uma miúda gira (e com juízo) é saber que o melhor tempero para qualquer refeição em família é a boa disposição. E se alguém reclamar… há sempre o contacto do homem da pizza gravado nos favoritos.
E convenhamos… A cozinha até pode ser o coração da casa… Mas quem manda no menu da paz familiar… ainda sou eu. (Ou a Deco, se o take-away demorar muito).
Com carinho,
Carla Milho,
As confissões de uma miúda gira 🥰❤️
Kkkk….que engraçado….qualquer coisa o nome do lugar da pizza está anotado!
Concordo que muitas vezes, é mais fácil fazer algo com o que já se tem em casa.
😅😄🥗🍲🍜
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Verdade 😅😅😅 e se reclamarem com a cozinheira 🤪bem acho melhor não 😂😂😂😂
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