
Hoje aconteceu-me uma daquelas coisas…
Fiquei a olhar para um farol e pensei:
“Coitado… passa a vida inteira a trabalhar e ninguém lhe bate palmas.”
Está ali, faça chuva, faça sol, com vento, nevoeiro ou mar bravo.
Nunca ouvi um farol dizer:
“Hoje não me apetece iluminar ninguém.”
E foi aí que comecei a rir sozinha.
Imaginem se os faróis fossem como algumas pessoas.
“Hoje estou sem bateria. Voltem amanhã.”
Ou então:
“Ilumino… mas só até às seis da tarde.”
Ainda bem que os faróis não fazem greve.
Depois pensei que, ao longo da vida, todos nós já tivemos um farol.
Aquela pessoa que apareceu precisamente quando já nem sabíamos muito bem para onde ir.
Às vezes nem falou muito.
Limitou-se a estar presente.
E isso bastou.
Também percebi outra coisa.
Há pessoas que passam a vida a iluminar o caminho dos outros e esquecem-se de trocar a própria lâmpada.
Até que um dia a luz começa a fraquejar.
Não porque sejam fracas.
Mas porque até os faróis precisam de manutenção.
Hoje acredito que ajudar os outros é uma coisa bonita.
Mas aprender a cuidar de nós também faz parte da viagem.
Porque um farol apagado dificilmente consegue orientar um barco.
E, convenhamos…
Se um dia eu for um farol, espero ter um botão de “pausa” para beber um café e comer um pastel de nata.
É que orientar vidas dá trabalho…
E ninguém pensa na pobre da eletricidade!
Com carinho,
Carla Milho,
As confissões de uma miúda gira 🥰❤️