
Perguntaram-me qual foi o melhor prato típico que já comi durante uma viagem.
Ora bem…
Esta é uma pergunta perigosa para uma miúda gira.
Porque eu posso esquecer-me do nome de uma rua, do nome de um monumento e até, em determinadas circunstâncias, de onde deixei o telemóvel…
Mas uma boa comida?
Essa fica arquivada na memória com direito a certificado e tudo. 😜
Viajar, para mim, nunca foi apenas conhecer lugares.
É conhecer pessoas, culturas, histórias, cheiros, sabores… e descobrir que cada lugar tem uma maneira diferente de dizer:
“Senta-te aqui e come qualquer coisa.” 🤭
E eu, como pessoa educada que sou, raramente recuso.
Há pratos que nos surpreendem.
Outros que nos fazem pensar:
— Como é que eu vivi tantos anos sem saber que isto existia?!
E depois há aqueles que nos fazem fechar os olhos à primeira garfada e pensar:
— Pronto… encontrei a razão pela qual valeu a pena vir até aqui. 😁
Mas com o tempo aprendi que o melhor de uma refeição nem sempre está no prato.
Está na mesa.
Está na conversa.
Na gargalhada inesperada.
Na pessoa que nos explica o que estamos a comer.
Na senhora que cozinha como se estivesse a alimentar a própria família.
No restaurante pequenino que quase passava despercebido.
Ou naquele café onde nos sentámos apenas para descansar e acabámos a ficar muito mais tempo do que tínhamos planeado.
Porque há sabores que desaparecem do prato…
mas ficam para sempre na memória.
E talvez seja isso que mais gosto nas viagens: perceber que a vida também é feita destes pequenos momentos.
Não precisamos de grandes luxos.
Às vezes basta uma mesa, boa companhia, comida saborosa e vontade de experimentar.
E, claro, alguém que nos diga:
— Prova isto!
Porque uma miúda gira pode ter espírito aventureiro…
mas gosta sempre de saber se há sobremesa. 😅🍰
No fundo, não sei dizer qual foi o melhor prato que já comi numa viagem.
Se calhar porque não existe apenas um.
Existem vários.
Cada um ligado a um lugar, a uma pessoa, a uma história e a uma versão diferente de mim.
E talvez seja essa a verdadeira beleza de viajar:
não voltamos exactamente iguais à pessoa que partiu.
Voltamos com fotografias, memórias, histórias…
e, se a viagem tiver corrido mesmo bem,
mais dois ou três quilos de recordações. 🤣🤣
A miúda gira recomenda:
viajem, provem, riam, descubram e não tenham medo de pedir aquele prato cujo nome ninguém consegue pronunciar.
No pior dos casos, apontem para a mesa ao lado e digam:
— Quero aquilo.
Foi assim que nasceram algumas das minhas melhores decisões gastronómicas. 😜😅🍰
Porque há viagens que alimentam a alma…
e outras que alimentam a alma, o coração e bastante bem o estômago. ❤️
Com carinho,
Carla Milho,
As confissões de uma miúda gira 🥰❤️