
Há algo que gostaria de partilhar convosco.
Talvez alguns de vocês se interroguem sobre a forma como tenho continuado a escrever no blogue, tantas vezes recorrendo ao humor, às peripécias dos meus animais ou a pequenas brincadeiras, numa altura em que o meu marido, o João, enfrenta uma dura batalha contra a LMA.
Não escrevo estas palavras para me justificar. Não sinto que tenha de o fazer.
Escrevo apenas porque muitos de vós demonstraram uma generosidade que jamais esquecerei. Partilharam o apelo para encontrar um dador de medula óssea compatível para o João, enviaram mensagens, deixaram palavras de carinho e fizeram-me sentir que não estamos sozinhos. Nunca conseguirei agradecer-vos como merecem.
Mas também aprendi que quem acompanha uma doença tão difícil precisa, por vezes, de encontrar pequenos refúgios para continuar de pé. Escrever, sorrir, rir das travessuras dos meus companheiros de quatro patas ou contar episódios mais leves não significa esquecer a realidade. Significa apenas respirar por alguns instantes para ganhar forças e continuar a caminhada.
Não existe uma forma certa ou errada de enfrentar uma doença como esta. Cada pessoa encontra o seu modo de resistir, de amar e de apoiar. Só quem vive esta realidade — seja como doente, familiar ou amigo — compreende o peso invisível que cada dia pode trazer.
Se, por vezes, me virem sorrir nas palavras, saibam que esse sorriso não apaga a dor. Apenas me ajuda a não deixar que ela ocupe todo o espaço da minha vida.
E enquanto houver um pouco de esperança, continuarei a escrever. Porque, às vezes, uma gargalhada também é uma forma de coragem💯🤜🤛
Carla Milho as confissões de uma miúda gira 🥰❤️