
Capítulo 139 — “Alberto Crespo, o Tenor Fantasma e o Arroz Frito😋👻😹
Naquela tarde, o Fenando estava sentado em frente ao computador.
Mas não se tratava de uma simples sessão de internet.
Não.
O Fenando tinha descoberto a sua verdadeira vocação: Sherlock Fenando Holmes. 🤣🤣
Com as patas estrategicamente pousadas junto ao teclado, os olhos semicerrados e aquela expressão de quem já tinha descoberto três crimes antes do pequeno-almoço, continuava a investigar o passado do Alberto.
Na verdade, já tinha aberto tantas abas que o computador parecia estar a pedir ajuda.
— Hmmm… Alberto… Alberto… — murmurava o Fenando, enquanto pesquisava. — Isto não me cheira nada bem.
Do outro lado da sala, o Alberto observava tudo, cada vez mais nervoso.
— Fenando… o que estás a fazer?
O gato nem levantou os olhos.
— Investigação.
— Investigação de quê?
Fenando fez uma pausa dramática, carregando acidentalmente na tecla de espaço.
— Do teu passado.
Alberto ficou branco.
Ou melhor… ficou ainda mais transparente do que já era.
— O meu passado não tem interesse nenhum!
Fenando virou lentamente a cabeça.
— É exactamente isso que dizem as pessoas que têm um passado interessante.
Alberto engoliu em seco.
E, perante aquela pressão psicológica felina, decidiu fazer aquilo que sabia melhor:
cantar.
— OOOO SOOOOLE MIOOOOO… 🎤
Fenando parou de escrever.
O cursor do computador também pareceu parar, por respeito ou por medo.
Jacks, que estava completamente absorvido a ver um programa de culinária na televisão, levantou imediatamente as orelhas.
— O que é que estão a cozinhar? — perguntou, aproximando-se do ecrã.
— Arroz frito — respondeu Fenando, sem tirar os olhos do computador.
Jacks ficou hipnotizado.
— Arroz… frito?
Sentou-se mais direito.
A língua começou a sair lentamente, como se tivesse vida própria.
— Com frango?
— Sim.
A língua aumentou de tamanho e quase derrubou o comando.
— E legumes?
— Também.
Jacks já estava praticamente dentro da televisão, com o focinho encostado ao ecrã.
Entretanto, Alberto continuava a cantar.
— LAAAAAAA SOLITUDINEEEEE… 🎤
Uma moldura abanou na parede.
Fenando suspirou.
— Este homem ainda vai fazer partir os vidros antes de eu descobrir quem ele era.
Alberto fez uma pausa.
— Isso foi um elogio?
— Não. Foi um aviso acústico.
Foi então que apareceu uma informação no ecrã.
Fenando aproximou-se.
Os olhos arregalaram-se.
— Alberto Crespo…
O fantasma aproximou-se devagar, tentando parecer misterioso, mas tropeçou no próprio lençol.
— O quê?
Fenando virou-se muito lentamente.
— Acho que encontrei qualquer coisa.
Alberto ficou imóvel.
— O quê?
Fenando sorriu.
Um sorriso de detective.
Um sorriso de gato.
Um sorriso que dizia claramente:
“Agora é que isto vai começar.”
Jacks, entretanto, nem sequer reparou.
Estava demasiado ocupado a ver o chef a empratar o arroz e a calcular mentalmente quantas porções cabiam numa tigela normal.
— Fenando… quando isto acabar, fazemos arroz frito?
O Fenando fechou o computador.
— Primeiro resolvemos o mistério do Alberto.
Alberto suspirou.
— Eu sabia que não devia ter começado a cantar…
— Eu sabia que não devia ter deixado o microfone ligado — acrescentou, olhando para a moldura torta.
E o Jacks, completamente alheio ao drama paranormal, respondeu:
— Eu sabia que devia ter trazido uma tigela maior. 😋😛
Continua… 🙈😺🐶👻😹
Com carinho,
Carla Milho,
As confissões de uma miúda gira 🥰❤️