
HĂĄ momentos em que nĂŁo queremos conversar.
NĂŁo estamos zangados.
NĂŁo estamos a fazer birra.
Não estamos a tentar castigar ninguém.
Estamos simplesmente cansados.
TĂŁo cansados que atĂ© explicar o motivo do nosso silĂȘncio parece exigir uma reuniĂŁo extraordinĂĄria, uma apresentação em PowerPoint e trĂȘs cafĂ©s. đđ
Nem sempre o silĂȘncio Ă© egoĂsmo.
Ăs vezes Ă© apenas a forma que encontramos de voltar a ouvir-nos.
Precisamos de ficar sozinhos, de organizar pensamentos, respirar fundo e recuperar um bocadinho de nĂłs prĂłprios.
E isso nĂŁo significa que deixĂĄmos de gostar das pessoas que nos rodeiam.
Pelo contrĂĄrio.
Ăs vezes afastamo-nos precisamente para nĂŁo descarregar nos outros aquilo que estamos a sentir.
HĂĄ dias em que a nossa prĂłpria companhia Ă© suficiente.
Um sofĂĄ, um pouco de silĂȘncio, talvez uma mĂșsica, um livro⊠e, se possĂvel, ninguĂ©m a perguntar:
â âO que tens?â
Porque hĂĄ alturas em que nem nĂłs sabemos responder. đ©đ€Ł
SĂł sabemos que precisamos de parar.
A exaustão também fala.
E, quando ela fala muito alto, talvez o mais saudĂĄvel seja simplesmente escutĂĄ-la.
NĂŁo precisamos de justificar cada momento em que escolhemos ficar quietos.
O silĂȘncio tambĂ©m pode ser descanso.
E quem realmente nos conhece hĂĄ-de perceber que nem sempre precisamos de palavras para continuar a amar, a respeitar ou a estar presentes.
Hoje, se eu escolher o silĂȘncio, nĂŁo significa que tenha fechado a porta Ă s pessoas.
Significa apenas que, por alguns instantes, preciso de abrir espaço dentro de mim. â€ïž
Depois volto.
Com mais energia, mais vontade de conversar e, provavelmente, com alguma histĂłria disparatada para contar. đ
đ
AtĂ© lĂĄ, deixem a miĂșda gira em silĂȘncio.
Prometo que nĂŁo Ă© mau humor⊠é falta de bateria. đđđ
Com carinho,
Carla Milho,
As confissĂ”es de uma miĂșda gira đ„°â€ïž