
Às vezes pedem desculpa por serem diferentes. Eu já deixei de perceber porquê.
Todos os dias vou arrumando um bocadinho da confusão que trago cá dentro. Uns dias consigo melhor; noutros, parece que a arrumação foi feita por um vendaval. Faz parte.
Nunca achei que fosse perfeita. Aliás, basta olhar para as plantas que já tentei manter vivas para perceber que a perfeição nunca foi o meu forte.
Conheço os meus defeitos, reconheço quando erro e continuo a aprender. Mas também aprendi a dar valor às minhas qualidades, porque fingir que elas não existem também não faz sentido.
Continuo a ser uma pessoa sensível. Não fiquei mais fria, nem mais dura. Apenas estou, mais uma vez, a reconstruir-me. Já o fiz noutras fases da vida e, se for preciso, volto a fazê-lo. Afinal, há casas antigas que atravessam séculos porque, de vez em quando, precisam apenas de uma boa obra.
Ainda há dias em que o coração quer mandar em tudo e a razão levanta a mão para pedir a palavra. Nem sempre chegam a acordo, mas lá se entendem… ou, pelo menos, tentam.
Hoje sei que o respeito começa em mim. Não porque me ache mais importante do que os outros, mas porque também não sou menos importante.
Não espero ser extraordinária. Basta-me continuar a ser verdadeira. Com as minhas imperfeições, os meus sorrisos, as minhas dúvidas e a vontade de seguir em frente e, às vezes, também desistir.
No fim de contas, não sou diferente por ser melhor. Sou apenas eu. E, depois de tudo o que a vida já me ensinou, descobri que isso é mais do que suficiente.
Carla Milho as confissões de uma miúda gira 🥰❤️