
Ingratidão é um eco feio que fica quando o gesto já foi embora.
Nasce do egoísmo, mas cresce naquilo que falta…falta de memória, falta de coragem, falta de coração inteiro. É um tipo de fraqueza que se disfarça de normalidade, que encolhe os ombros e segue como se nada fosse, como se não tivesse havido mãos estendidas, tempo oferecido, pedaços de alguém deixados no caminho.
A ingratidão vê, mas escolhe não reconhecer. Sente, mas finge não dever. E isso… isso pesa.
Porque quem dá, dá com verdade. Dá com luz nos olhos. Dá sem pedir troco, mas não sem sentir. E quando o retorno é esse vazio esse silêncio carregado, alguma coisa se parte devagarinho.
É estranho como dói. Não grita, não faz escândalo. Mas fica. Fica como um ruído mudo dentro do peito. Um desconforto que não passa logo. Uma pergunta sem resposta.
E talvez o mais difícil não seja o gesto esquecido…é perceber que, para o outro, ele nunca teve o mesmo tamanho.
A ingratidão não apaga o que foste. Mas, por momentos, apaga o brilho. Rouba a leveza. Faz duvidar.
E isso… isso custa.
Mas passa.
Mesmo que demore.
Mesmo que deixe marca.
Mesmo que ensine, da forma mais dura, a escolher melhor onde pousamos o coração.
Carla Milho as confissões de uma miúda gira 🥰❤️