
Houve uma fase da minha vida em que me moldava para caber onde nunca existiu espaço para mim. Acreditava que amar era insistir, ceder e provar constantemente o meu valor, como se o afeto tivesse de ser conquistado através do desgaste.
Até compreender que há lugares onde nem a nossa melhor versão será suficiente. Não porque nos falte valor, mas porque algumas pessoas nunca conseguem acolher quem realmente somos.
Foi então que deixei de lutar por aceitação. Deixei de procurar aprovação em quem apenas via aquilo que lhe interessava e de esconder partes de mim para corresponder às expectativas dos outros.
Foi nesse momento que descobri que a paz não nasce quando somos escolhidos, mas quando temos a coragem de nos escolher a nós próprios. Quando percebemos que a nossa dignidade vale mais do que qualquer tentativa de permanecer onde nunca fomos verdadeiramente vistos.
Hoje já não imploro atenção, nem confundo migalhas com amor ou presenças vazias com companhia. Aprendi que existem ausências que curam e distâncias que salvam.
Porque, no fim, a maior liberdade acontece quando deixamos de correr atrás de quem nunca caminhou ao nosso lado e começamos, finalmente, a caminhar em direção à pessoa mais importante da nossa vida: nós mesmos.
Carla Milho as confissões de uma miúda gira 🥰❤️