
Há quem confunda o meu riso com leveza. Talvez porque as gargalhadas façam mais barulho do que os silêncios.
Continuo a brincar com a vida, mesmo quando ela insiste em brincar comigo. Não por falta de consciência da realidade, mas porque descobri que o humor pode ser uma das formas mais nobres de coragem. É a pequena luz que acendo quando a escuridão tenta convencer-me de que já venceu.
Por dentro, há dias em que me sinto à beira do colapso. Mas aprendi que nem tudo o que se parte faz ruído. Há almas que se vão reconstruindo em silêncio, enquanto oferecem aos outros um sorriso sincero.
Não finjo que está tudo bem. Apenas recuso entregar à dor o privilégio de escrever sozinha a minha história.
Se um dia me encontrarem a rir no meio da tempestade, não pensem que deixei de sentir o vento. Pensem apenas que escolhi não deixar que ele me roubasse a capacidade de encontrar beleza, esperança e até um pouco de loucura saudável pelo caminho.
Porque, às vezes, a sanidade não está em viver sem peso. Está em conseguir sorrir enquanto o coração, discretamente, aprende a suportá-lo.
Há sorrisos que nascem da felicidade. Outros nascem da coragem. E, curiosamente, são estes últimos que costumam iluminar mais o caminho.
Carla Milho as confissões de uma miúda gira 🥰❤️