
Capítulo 105 – A Polícia, a Vizinha e o Cantor Que Ninguém Via 🤣👮♂️🎤❤️
Naquela tarde, a Miúda Gira estava em casa, muito tranquila.
Até começar a cantar.
E quando digo cantar…
Quero dizer cantar muito alto.
A Consuela apareceu na cozinha.
— Miúda Gira, tens a certeza de que isto é cantar?
— Claro!
— É que parece mais um pedido de socorro.
O Alberto, todo orgulhoso, respondeu:
— Eu acho que ela está a melhorar!
— Alberto, tu não tens moral nenhuma! — disse a Consuela. — Também queres ser cantor!
E a Miúda Gira continuou.
Cantou na cozinha.
Cantou na sala.
Cantou enquanto arrumava.
Cantou enquanto dançava.
Até que…
TOC TOC TOC!
Parou tudo.
— Quem será?
A Consuela foi abrir a porta.
Do outro lado estavam dois agentes da polícia.
— Boa tarde. Recebemos uma queixa de barulho.
A Miúda Gira ficou séria.
— Barulho?
— Sim. Uma vizinha queixou-se de alguém a cantar muito alto.
Olhei para a Consuela.
A Consuela olhou para mim.
O Alberto ficou completamente imóvel.
— E… quem é que ela disse que estava a cantar? — perguntei.
O agente consultou o bloco.
— Segundo a queixa, parecia haver duas pessoas.
Silêncio.
Olhei imediatamente para o espaço vazio onde estava o Alberto.
Ele sussurrou:
— Não digas nada.
A Consuela mordeu o lábio para não se rir.
O agente continuou:
— A senhora afirmou que uma das vozes era particularmente… intensa.
— Essa sou eu — admiti.
O Alberto levantou a mão, embora ninguém a pudesse ver.
— E a outra sou eu.
Olhei para ele.
— Alberto, cala-te!
O agente franziu a testa.
— Desculpe?
— Nada!
A Consuela virou-se para mim.
— Acho que acabaste de confessar a existência de um cantor invisível.
— Eu sei!
O agente perguntou:
— Então quem estava a cantar?
Olhei para a Consuela.
Olhei para o tecto.
Olhei para o espaço vazio.
— Eu.
Pausa.
— E… a acústica da casa.
O Alberto começou a rir.
A Consuela já estava quase a explodir.
Os agentes acabaram por perceber que se tratava apenas de uma sessão de canto particularmente entusiasmada.
— Tentem baixar um pouco o volume, está bem?
— Claro! — respondi.
Fechei a porta.
Ficámos todos em silêncio.
Até que o Alberto disse:
— Então… ensaiamos mais baixo?
A Consuela respondeu:
— Tu não ensaias mais nada!
Eu comecei a rir.
E pensei:
entre uma vizinha que chama a polícia, uma Consuela atriz de telenovela e um Alberto que quer ser cantor… esta casa já não precisa de televisão.
Nós somos a programação. 🤣🤣🤣❤️
📢 Relatório da Consuela
Motivo da ocorrência: Canto excessivamente entusiasmado 😅
Queixosa: Vizinha
Suspeita principal: Miúda Gira
Suspeito secundário: Alberto — invisível e sem noção do volume
Testemunha: Consuela
Resultado: Sem prisão, sem multa e com recomendação para baixar o volume.
Conclusão: O próximo concerto do Alberto deverá ser realizado… em silêncio. 🤣😆❤️
Com carinho,
Carla Milho,
As confissões de uma miúda gira 🥰❤️