
Há quem leia livros para conhecer outras histórias. Eu aprendi a ler a minha para conhecer quem sou.
O livro da minha vida não é perfeito. Tem lágrimas, sorrisos, coragem e silêncio.
Se pudesse voltar atrás, talvez mudasse pouco. Não para apagar a dor, mas para amar mais, dizer mais e perder menos tempo com o que não importava.
Cada capítulo trouxe uma lição. Houve esperança, desilusão, reencontros, despedidas e sonhos que ficaram pelo caminho. Tudo isso me fez quem sou.
Aprendi que as cicatrizes não estragam a história. Tornam-na verdadeira.
Hoje continuo a escrever novas páginas, umas leves, outras difíceis, mas todas vividas com verdade. Porque a vida não se mede pelo número de páginas, mas pela forma como as escrevemos.
Também aprendi que há capítulos tão pesados que, por momentos, nos fazem duvidar se teremos forças para escrever a página seguinte. Há dias em que continuar parece uma tarefa impossível. E é precisamente nesses momentos que devemos lembrar-nos de que pedir ajuda não é sinal de fraqueza, mas um enorme ato de coragem. Ninguém tem de carregar sozinho o peso da dor. Há sempre uma mão que nos pode amparar, uma palavra que nos pode devolver a esperança e uma razão para acreditar que o próximo capítulo pode ser diferente.
E quando chegar o último capítulo, espero fechá-lo com a serenidade de quem amou, lutou, caiu, se levantou as vezes que foram necessárias e nunca deixou de acreditar.
No fim, o livro da minha vida não será lembrado por ser perfeito, mas por ser verdadeiro. Será a mais bonita das histórias, porque foi a minha. Porque a vivi com todas as lágrimas, todos os sorrisos, todas as quedas e toda a coragem que encontrei pelo caminho. E, apesar de tudo, nunca deixei de escrever mais uma página.
Carla Milho as confissões de uma miúda gira 🥰❤️