As Crônicas De uma Miúda Gira 🥰❤️-Capítulo 102 – O Dia em Que a Miúda Gira Decidiu Não Explicar Nada a Ninguém 🤣❤️🍀

— Vontade de não explicar.
A Consuela ficou a olhar para mim.
— Isso é novo.
— Eu sei.
Foi então que o Alberto apareceu.
— Eu apoio!
— Tu apoias tudo.
— É uma das minhas melhores qualidades.
— Ou piores.
— Depende da audiência.
Continuei tranquilamente a arrumar as coisas.
A Consuela não desistiu.
— Mas não vais explicar porque estás tão bem-disposta?
— Não.
— Nem porque estás a cantar?
— Não.
— Nem porque puseste música às oito da manhã?
— Também não.
— Nem porque estás a dançar com a esfregona?
Parei.
Olhei para a esfregona.
— Isso já merece explicação.

Capítulo 102 – O Dia em Que a Miúda Gira Decidiu Não Explicar Nada a Ninguém 🤣❤️🍀

Na manhã seguinte às cinco bolas de gelado de chocolate, acordei com uma decisão muito importante:
não ia explicar nada a ninguém.
Nem as minhas escolhas.
Nem as minhas ideias.
Nem os meus gostos.
Nem sequer aquela vontade inexplicável de cantar enquanto arrumava a cozinha.
A Consuela apareceu logo de manhã.
— Estás bem?
— Estou.
— Tens alguma coisa?
— Tenho.
Ela esperou.
— O quê?
— Vontade de não explicar.
A Consuela ficou a olhar para mim.
— Isso é novo.
— Eu sei.
Foi então que o Alberto apareceu.
— Eu apoio!
— Tu apoias tudo.
— É uma das minhas melhores qualidades.
— Ou piores.
— Depende da audiência.
Continuei tranquilamente a arrumar as coisas.
A Consuela não desistiu.
— Mas não vais explicar porque estás tão bem-disposta?
— Não.
— Nem porque estás a cantar?
— Não.
— Nem porque puseste música às oito da manhã?
— Também não.
— Nem porque estás a dançar com a esfregona?
Parei.
Olhei para a esfregona.
— Isso já merece explicação.
O Alberto começou a rir.
— Afinal há limites!
— Claro que há.
— Quais?
— A esfregona não pode ser acusada injustamente.
A Consuela sentou-se.
— Então hoje estás numa fase de “faço o que quero e ninguém tem nada a ver com isso”?
— Mais ou menos.
— E se alguém criticar?
— Pode criticar.
— E se não concordar?
— Pode não concordar.
— E se achar estranho?
— Tem todo o direito.
— E tu?
— Eu tenho o direito de continuar a viver.
A Consuela ficou calada.
O Alberto também.
Até que ele disse:
— Isto está perigosamente sensato.
— Não te habitues.
Fui buscar o café.
Sentei-me no quintal.
E percebi que, às vezes, a paz não está em conseguir que toda a gente compreenda as nossas escolhas.
Está em deixar de sentir necessidade de as justificar.
Se queremos cinco bolas de gelado, comemos cinco.
Se queremos dançar com uma esfregona, dançamos.
Se queremos passar uma tarde sem fazer absolutamente nada, fazemos.
E se alguém perguntar:
— Mas porquê?
Podemos simplesmente responder:
— Porque sim.
A Consuela apareceu à porta.
— Miúda Gira?
— Sim?
— Posso dançar com a esfregona?
Olhei para ela.
— Claro.
O Alberto gritou:
— Eu quero a vassoura!
E cinco minutos depois estávamos os três numa espécie de coreografia absolutamente vergonhosa.
Eu com a esfregona.
A Consuela com o pano do pó.
E o Alberto, invisível, a comandar a banda sonora.
Olhei para aquela cena e pensei:
Definitivamente, isto não é uma casa normal.
Mas também pensei:
Ainda bem. ❤️😇🤪
📢Relatório da Consuela
Assunto: Dia sem explicações
Miúda Gira: Estranhamente tranquila
Juízo: Presente, mas não está a trabalhar
Esfregona: Promovida a parceira de dança
Vassoura: Convocada pelo Alberto
Alberto: Responsável pela música
Consuela: Descobriu talentos que ninguém pediu
Conclusão: Recomenda-se repetir a experiência.
Nota final:
A normalidade foi novamente convidada para sair.
E, desta vez, nem levou casaco. ❤️🤪🤣🤣🤣

Com carinho,

Carla Milho,

As confissões de uma miúda gira 🥰❤️

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