As Crónicas do Fenando e do Jacks🐾😸🐶-Capítulo 35 – As Lágrimas do Fenando e a Baba do Jacks

E depois há o Fenando…
…que se emociona com o jantar.
Na primeira vez que reparei, fiquei preocupada.
Enquanto ele comia, vi umas gotinhas a escorrer pelos bigodes.
Aproximei-me imediatamente.
“Fenando… estás a chorar?”

Há momentos na vida em que uma pessoa se emociona.
Com um filme.
Com uma música.
Com uma recordação.
E depois há o Fenando…
…que se emociona com o jantar.
Na primeira vez que reparei, fiquei preocupada.
Enquanto ele comia, vi umas gotinhas a escorrer pelos bigodes.
Aproximei-me imediatamente.
“Fenando… estás a chorar?”
Ele nem levantou a cabeça.
Continuou a mastigar o seu petisco com a concentração de um verdadeiro especialista.
Olhei melhor.
As lágrimas continuavam.
Comecei logo a imaginar os piores cenários.
Será que estava doente?
Será que tinha ficado sensibilizado porque lhe disse que era o gato mais bonito do mundo?
Será que estava a viver uma crise existencial felina?
Foi então que ele terminou de comer, lambeu os bigodes com toda a calma, olhou para mim durante dois segundos e foi dormir.
Percebi finalmente a verdade.
O Fenando não chorava de tristeza.
Chorava… de felicidade gastronómica!
Aquele chouriço devia ser tão bom que lhe arrancava lágrimas de emoção.
Entretanto, do outro lado da cozinha…
Estava o Jacks.
Sentado.
Muito direito.
Muito educado.
Muito paciente.
Ou, pelo menos, era essa a imagem que ele queria transmitir.
Porque bastava eu pegar no meu prato…
…e começava o espetáculo.
Olhos fixos em mim.
Cabeça inclinada.
Cauda a abanar.
E um fiozinho de baba que descia lentamente.
Muito lentamente.
Parecia uma torneira mal fechada.
Quanto mais apetitosa fosse a minha refeição…
Maior era a cascata.
Um dia estava a comer uma sandes.
Olhei para o Jacks.
Ele olhou para a sandes.
Olhei novamente para ele…
E a baba já quase tinha pedido autorização para ocupar o chão da cozinha.
Disse-lhe:
— Jacks… isso não se faz!
Ele respondeu apenas abanando a cauda.
Acho que, na cabeça dele, aquilo não era baba.
Era entusiasmo em estado líquido.
O Fenando assistia à cena com a elegância habitual.
Limpava delicadamente os bigodes, como um verdadeiro cavalheiro.
Tenho quase a certeza de que estava a pensar:
— Cada um demonstra o amor pela comida à sua maneira.
Uns choram.
Outros inundam a cozinha.
No fim, olhei para os dois e desatei a rir.
Porque percebi que, naquela casa, a comida não alimenta apenas o estômago.
Também alimenta o teatro.
E os protagonistas dão sempre um espetáculo digno de aplausos.
😸Pensamento do Fenando: “Não são lágrimas… é apenas o meu coração gastronómico a agradecer cada pedacinho de chouriço.”
🐶Pensamento do Jacks: “Eu não me babo… estou só a regar a esperança de que a tua comida venha parar ao meu prato!”
Moral da história: Há quem faça críticas gastronómicas em jornais. Lá em casa, basta olhar para o Fenando e para o Jacks. Se um chora e o outro se baba… é porque o chef merece cinco estrelas! 😹😹🐕😅🤪❤️

Com carinho,

Carla Milho,

As confissões de uma miúda gira 🥰❤️

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