Capítulo 38– O Relógio Suíço de Quatro Patas 🐾🐾🕛


Há uma coisa que nunca consegui explicar.
Nem a ciência.
Nem a tecnologia.
Nem os relojoeiros suíços.
Como é que o Fenando e o Jacks sabem exatamente a hora das refeições?
Podem estar os dois a dormir profundamente.
O Fenando no quintal, estendido ao sol como um verdadeiro rei.
O Jacks no sofá, a ressonar com tanto entusiasmo que quase abana as almofadas.
Mas basta aproximar-se a hora de comer…
Acontece um verdadeiro milagre.
Os dois aparecem ao mesmo tempo na cozinha.
Nem um minuto antes.
Nem um minuto depois.
É uma pontualidade que faria inveja aos comboios… quando decidem colaborar.
Tenho a certeza de que escondem um relógio suíço algures debaixo do pelo.
Só pode!
Um dia resolvi fazer uma experiência.
Olhei para o relógio.
Faltavam exatamente dois minutos para a hora habitual do jantar.
Esperei.
Ao fim de trinta segundos apareceu o Fenando.
Muito calmo.
Muito elegante.
Sentou-se ao pé da taça e olhou para mim com aquela expressão de professor universitário que sabe que o aluno se esqueceu dos trabalhos de casa.
Um minuto depois surgiu o Jacks.
A correr.
Travou mesmo em frente à cozinha.
Abanava a cauda com tanta força que tive receio de perder um vaso.
Sentou-se imediatamente ao lado do Fenando.
Os dois olharam para mim.
Depois para as taças.
Depois novamente para mim.
Silêncio absoluto.
Mas juro que ouvi uma campainha imaginária.
“Trimmmm… Hora da refeição!”
Fingi que ainda estava ocupada.
Foi um erro.
O Fenando começou a seguir-me pela casa.
Não miava.
Não insistia.
Limitava-se a acompanhar-me em silêncio.
Era uma pressão psicológica de alto nível.
O Jacks escolheu outra estratégia.
Sentava-se à minha frente.
Levantava uma pata.
Depois outra.
Dava um suspiro dramático.
E fazia aquela cara de quem não comia… desde a Idade Média.
Olhei para os dois e perguntei:
— Vocês comeram há quatro horas!
O Jacks abanou a cauda.
O Fenando piscou os olhos lentamente.
Traduzindo para linguagem humana, a resposta foi:
— Exatamente… já é uma eternidade!
Acabei por lhes servir o jantar.
Nem um segundo de atraso foi perdoado.
O Fenando atacou a comida com a elegância de um verdadeiro apreciador de alta gastronomia.
O Jacks comeu com tanto entusiasmo que, durante alguns segundos, tive dúvidas se também não ia comer a taça.
No fim, os dois ficaram a olhar para mim com ar satisfeito.
Missão cumprida.
Pontualidade impecável.
E eu cheguei à conclusão de que não preciso de relógio de parede.
Nem de despertador.
Enquanto viver com o Fenando e o Jacks…
Nunca mais falharei a hora das refeições.
😸Pensamento do Fenando: “A pontualidade é uma virtude… principalmente quando envolve chouriço ou ração.”
🐶Pensamento do Jacks: “Eu não sou guloso! Sou apenas um profissional muito dedicado ao cumprimento dos horários!”
Moral da história: Dizem que a disciplina é importante. Lá em casa, ela começa na cozinha. Porque o Fenando e o Jacks podem esquecer onde deixaram um brinquedo… mas a hora da refeição? Essa nunca, jamais, em tempo algum! E se a humana se atrasar… a campainha invisível toca logo dentro da cabeça deles! 😸😹🐕🐶❤️
Com carinho,
Carla Milho,
As confissões de uma miúda gira 🥰❤️