

Capítulo 39 – O Professor Fenando e o Aluno Mais Irrequieto do Mundo!
Cá em casa existe uma regra que ninguém escreveu.
Mas toda a gente respeita.
Ou melhor…
Quase toda a gente.
O Jacks nasceu convencido de que o mundo inteiro quer brincar com ele.
O Fenando nasceu convencido de que o mundo inteiro precisa de um bocadinho de disciplina.
É por isso que, sempre que o Jacks se entusiasma… entra em cena o Professor Fenando.
Tudo começa da mesma maneira.
O Jacks vê o Fenando a passar pelo corredor.
Os olhos brilham.
A cauda abana tão depressa que até faz corrente de ar.
E lá vai ele, convencido de que o Fenando acordou cheio de vontade de brincar às escondidas.
— Fenando! Espera por mim!
O Fenando continua a andar.
Calmo.
Elegante.
Ignora completamente o entusiasmo do companheiro.
Mas o Jacks insiste.
Dá um saltinho.
Outro saltinho.
Encosta-lhe o focinho.
Cheira-lhe a cauda.
E, quando já está convencido de que o amigo vai começar a correr…
…o Fenando trava.
Vira-se muito devagar.
Olha para o Jacks durante dois segundos.
E… plim!
Uma patinha muito delicada no rabinho.
O Jacks fica imóvel.
Com aquela expressão de quem acabou de ouvir a professora dizer:
— Menino Jacks, menos conversa e mais compostura!
Passam… talvez três segundos.
E o Jacks volta à carga.
— Então? Agora brincamos?
O Fenando suspira, aproxima-se e dá-lhe outra patinha.
Desta vez… na bochecha.
Nada de violência.
É mais um toque de mestre.
Como quem diz:
— Respira, rapaz! Nem tudo na vida é correr de um lado para o outro!
O Jacks afasta-se.
Senta-se.
Fica muito sério.
Olha para mim.
Olha para o Fenando.
Tenho quase a certeza de que está a pensar:
— Acho que acabei de levar mais uma aula.
Cinco segundos depois…
Já anda outra vez a correr atrás de uma folha que entrou pela porta.
O Fenando observa a cena.
Abana a ponta da cauda.
E volta para o seu lugar favorito.
Acho que, lá no fundo, até gosta de ter um aluno tão traquinas.
Porque, sejamos sinceros…
Sem o Jacks, quem é que ele ia pôr na ordem?
E sem o Fenando…
Quem é que ensinava ao Jacks que, às vezes, uma patinha vale mais do que mil ladridos?
No fim do dia, encontro-os deitados lado a lado.
O professor e o aluno.
O disciplinador e o irrequieto.
Os dois completamente tranquilos.
Porque, no fundo, aquelas patinhas não são zangas.
São apenas a forma muito felina de o Fenando dizer:
— Gosto muito de ti… mas baixa lá essa rotação!
😸Pensamento do Fenando: “Educar um labrador é um trabalho exigente. Felizmente tenho duas patas… e muita paciência.”
🐶Pensamento do Jacks: “Ainda não percebi porque é que o Fenando me dá patinhas… mas, se depois continua ao pé de mim, é porque devo estar a passar de ano!” 😹
Moral da história: Há amizades que se constroem com abraços. Outras constroem-se com brincadeiras. E a do Fenando e do Jacks constrói-se com uma ou outra patinha de professor… sempre seguida de muito carinho e de uma amizade que cresce todos os dias. 😸🐶🐕❤️❤️
Com carinho,
As confissões de uma miúda gira 🥰❤️