

Cá em casa existe um criminoso.
Um ladrão.
Um fora da lei.
E não… não é o Fenando.
O principal suspeito atende pelo nome de…
Jacks.
O seu alvo preferido?
Roupa interior.
Sim… leram bem.
Não me perguntem porquê.
Também já desisti de tentar perceber.
Basta eu deixar uma meia distraída, umas cuecas em cima da cama ou uma peça de roupa acabada de dobrar…
…e desaparece.
Sem deixar rasto.
Ou melhor…
Deixa um rasto de pegadas e uma cauda a abanar.
Um dia passei meia hora à procura de umas cuecas.
Procurei no quarto.
Na casa de banho.
Na máquina da roupa.
Nada.
Até que saio para o quintal…
…e lá estava o Jacks.
Sentado com um ar muito orgulhoso.
Ao lado dele, cuidadosamente pousado no chão, estava o meu “tesouro” desaparecido.
Nem mastigado estava.
Parecia um troféu.
Olhou para mim como quem dizia:
— Surpresa! Encontrei isto para ti!
Nessa altura apareceu o Fenando.
Observou a cena.
Olhou para o Jacks.
Olhou para a roupa.
Olhou para mim.
E fez aquele piscar de olhos lento.
Já conheço aquele olhar.
Traduzido para português queria dizer:
— Eu bem te disse para fechares a gaveta…
O Jacks, completamente alheio ao julgamento felino, pegou novamente na roupa e começou a correr pelo quintal como se estivesse a transportar a Taça de Portugal.
Eu atrás dele.
O Fenando atrás de… ninguém.
Limitou-se a sentar-se num muro.
Tenho quase a certeza de que estava a apreciar o espetáculo.
Parecia um comentador desportivo.
Na minha imaginação, até ouvi a narração:
— Minuto 72 de jogo…
Jacks recupera a roupa interior…
A humana inicia a perseguição…
O Fenando mantém-se imparcial… ou talvez não.
Depois de várias voltas ao quintal, o Jacks parou.
Sentou-se.
Largou cuidadosamente a roupa aos meus pés.
E esperou pela recompensa.
Uma festa.
Recebeu-a.
Porque, convenhamos…
Como é que alguém consegue ralhar com um cão que tem aquele ar de quem acredita sinceramente que acabou de prestar um serviço público?
O Fenando levantou-se muito devagar.
Aproximou-se.
Cheirou a roupa.
Olhou novamente para o Jacks.
E deu-lhe uma patinha muito suave na testa.
Não foi uma reprimenda.
Foi mais uma espécie de certificado oficial.
Como quem dizia:
— Rapaz… és boa companhia… mas tens um gosto muito estranho para colecionar coisas.
O Jacks abanou a cauda.
Provavelmente pensou que tinha recebido um elogio.
E eu?
Eu aprendi uma lição muito importante.
Antes de dobrar a roupa…
Convém confirmar se o “Departamento de Investigações do Jacks” já terminou a inspeção.
😸Pensamento do Fenando: “Há gatos que caçam ratos. Eu limito-me a observar cães que colecionam roupa interior. A vida nunca deixa de surpreender.”
🐶Pensamento do Jacks: “Eu não roubo roupa interior! Faço apenas um rigoroso controlo de qualidade… e, de vez em quando, uma corrida de demonstração!” 藍
Moral da história: Todos temos um passatempo. Uns colecionam selos. Outros moedas. O Jacks… prefere roupa interior. E o Fenando? O Fenando coleciona momentos para abanar a cabeça e pensar: “Ainda bem que eu sou um gato.” 😹😹😹❤️
Com carinho,
Carla Milho,
As confissões de uma miúda gira 🥰❤️