
Durante muito tempo achei que, se encontrasse as palavras certas, conseguia explicar tudo. Que bastava escolher os verbos adequados, pôr as vírgulas no sítio certo e, como por magia, toda a gente perceberia exatamente o que eu queria dizer.
Que ingénua.
A vida tem um sentido de humor muito peculiar. Há dias em que as palavras desaparecem sem deixar aviso prévio. Devem ir beber café umas com as outras e esquecem-se completamente de voltar.
Ficamos ali, de boca aberta, a tentar explicar o que sentimos, enquanto sai uma frase que nem nós próprios percebemos muito bem. E está tudo certo.
Foi precisamente nessas alturas que descobri uma coisa importante: nem sempre é a frase mais bonita que diz mais. Muitas vezes é a mais simples, a mais desajeitada ou aquela que quase nos dá vontade de pedir desculpa por existir.
Também percebi que a perfeição está muito sobrevalorizada. Se esperasse pelo texto perfeito, ainda hoje estava a escrever a primeira linha… ou a apagar a segunda.
Por isso, deixei de fazer guerra às palavras. Quando elas colaboram, agradeço. Quando fazem birra, improviso. E quando nenhuma aparece… faço uma chávena de café e espero que regressem mais bem-dispostas.
No fim de contas, nem tudo precisa de ser dito de forma impecável. Há sentimentos que se entendem entre linhas, entre sorrisos e até entre aqueles momentos em que dizemos: “Era isto… ou pelo menos era parecido!”
E, sinceramente, acho que isso torna a vida muito mais interessante. Afinal, se conseguíssemos explicar tudo na perfeição, que graça teriam as conversas… e os mal-entendidos que, de vez em quando, dão origem às melhores histórias?😉
Carla Milho as confissões de uma miúda gira 🥰❤️