Crónicas de uma Miúda Gira🥰❤️-Capítulo 19 – Hoje Aconteceu-me Uma Daquelas Coisas… Também a Miúda Gira se Cansa🤫

Pensei que talvez fosse altura de vos contar um pequeno segredo.
Ser a “Miúda Gira” é muito divertido… mas nem sempre é fácil.
Porque, por detrás deste nome, existe a Carla Milho.
Uma mulher perfeitamente imperfeita.
Com qualidades, defeitos e uma capacidade extraordinária para perder as chaves precisamente quando está cheia de pressa.

Capítulo 19 – Hoje Aconteceu-me Uma Daquelas Coisas… Também a Miúda Gira se Cansa🤫

Hoje aconteceu-me uma daquelas coisas…
Pensei que talvez fosse altura de vos contar um pequeno segredo.
Ser a “Miúda Gira” é muito divertido… mas nem sempre é fácil.
Porque, por detrás deste nome, existe a Carla Milho.
Uma mulher perfeitamente imperfeita.
Com qualidades, defeitos e uma capacidade extraordinária para perder as chaves precisamente quando está cheia de pressa.
Ao longo da vida descobri uma coisa que nunca imaginei: sou muito mais resiliente do que pensava.
A vida foi-me ensinando isso… nem sempre com legendas, mas sempre com lições.
Também aprendi que ser resiliente não significa aguentar tudo para sempre.
Até os elásticos, quando são esticados vezes sem conta, acabam por dizer: “Daqui não passo!”
E nós não somos feitos de um material mais resistente do que um elástico.
Há outra lição que a vida me deu, e essa não estava em nenhum livro.
Acompanhar a doença de quem amamos é caminhar ao lado em todas as fases. Nas boas, sorri-se com esperança. Nas menos boas, tenta-se encontrar forças onde jurávamos que já não existiam.
Confesso que houve dias em que me sinto uma espécie de canivete suíço. Ora era motorista, ora enfermeira, ora cozinheira, ora psicóloga… e, pelo meio, ainda aparece a “Consuela” para limpar a casa, porque parece que o pó não respeita estados de espírito.
Mas chega uma altura em que percebemos uma verdade muito importante.
Ajudar alguém não tem de significar a nossa destruição.
Porque, se deixarmos de cuidar de nós, um dia já não teremos forças para cuidar de quem tanto precisa de nós.
Ajudar a salvar uma vida não pode custar a nossa.
E não há egoísmo nenhum em admitir que também precisamos de respirar, descansar e recuperar o fôlego.
Foi também nestes dias que descobri quem realmente caminhava ao meu lado.
E também percebi outra coisa, daquelas que custam um bocadinho a admitir.
Nós, seres humanos, temos uma mania curiosa: habituamo-nos demasiado depressa às pessoas que estão sempre presentes.
Achamos que vão estar ali amanhã, na próxima semana e, se possível, para sempre.
Só quando sentimos a ausência é que percebemos o verdadeiro valor da presença.
E, às vezes, essa descoberta chega um bocadinho atrasada.
Eu também já caí nessa armadilha.
A vida tratou logo de me lembrar, com aquele sentido de humor muito próprio, que as pessoas não são móveis da sala. Não basta tirar-lhes o pó de vez em quando e achar que está tudo tratado.
Precisam de tempo, de atenção, de um abraço, de um telefonema… e, de vez em quando, de um café e um pastel de nata.
Se hoje tens alguém de quem gostas, diz-lhe.
Não deixes tudo para “um dia”.
É que o “um dia” tem um péssimo hábito: chega quase sempre atrasado.
Outra coisa que aprendi é que todas as escolhas têm consequências.
Umas trazem-nos sorrisos, outras deixam-nos lições… e há aquelas que nos fazem pensar: “A sério que fui eu que decidi isto?”
Mas todos nós já passámos por momentos em que continuar dependia das nossas escolhas.
Às vezes mudamos de caminho.
Outras vezes mudamos apenas a forma de caminhar.
E qualquer uma dessas decisões pode ser o início de uma história bonita.
Quando esse dia chegar para mim, não lhe vou chamar fim.
Vou chamar-lhe recomeço.
Porque a vida tem este hábito curioso de nos fechar uma porta… e, logo a seguir, perguntar:
“Então… já reparaste nas janelas que ficaram abertas?”
E, convenhamos…
Se um dia me virem de mochila às costas, um café na mão e o GPS a dizer “faça inversão de marcha”… não pensem que estou perdida.
É só a Miúda Gira a descobrir que, às vezes, os melhores caminhos são precisamente aqueles que não estavam no mapa.

Com carinho,

Carla Milho,

As confissões de uma miúda gira 🥰❤️

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