
Capítulo 75 – Podem Substituir-me… Mas Boa Sorte a Copiar-me! 🤣🥰
Houve um dia em que a miúda gira se sentou calmamente no sofá, respirou fundo e teve uma daquelas epifanias que normalmente aparecem quando estamos a beber café e a olhar para o vazio como se tivéssemos acabado de descobrir o sentido da vida.
— Sabem uma coisa? — disse ela.
O Alberto, que estava a pairar junto ao candeeiro, ficou imediatamente em alerta.
A Consuela parou de limpar.
Até o pó pareceu ficar quieto.
— Eu cheguei a uma conclusão — continuou a miúda gira.
O Alberto aproximou-se.
— Isto promete…
A miúda gira sorriu.
— Eu posso ser substituída naquilo que faço. Qualquer pessoa pode aprender tarefas, repetir rotinas, ocupar lugares, fazer determinadas coisas…
A Consuela acenou solenemente com a cabeça.
— Sim, minha menina.
— MAS… — continuou a miúda gira, levantando o dedo indicador — há uma coisa que ninguém consegue substituir.
O Alberto inclinou a cabeça.
— O sofá?
— Não, Alberto! 🤣
— A máquina do café?
— Também não!
— O comando da televisão?
— ALBERTO!
— Está bem, está bem… foi só uma investigação científica. 😂
A miúda gira respirou fundo, tentando não se rir.
— A minha essência.
Silêncio.
A Consuela ficou imóvel com o pano na mão.
— O meu jeito de ser, aquilo que aprendi, o coração que ponho nas coisas, as minhas gargalhadas, as minhas maluquices, a maneira como enfrento a vida… isso ninguém consegue copiar.
O Alberto começou lentamente a bater palmas.
CLAP. CLAP. CLAP. CLAP. 🩷
— Finalmente! — exclamou ele. — Uma conclusão inteligente nesta casa🤣🤣🤣
A Consuela levou a mão ao peito.
— Ai…
Os olhos começaram a ficar cheios de lágrimas.
A miúda gira olhou para ela.
— Consuela… não chores!
— Eu não estou a chorar, menina…
— Estás com os olhos cheios de água!
— É alergia!
— A quê?
Consuela fungou.
— À emoção!
O Alberto continuava a bater palmas.
— Muito bonito! Muito profundo! Muito filosófico!
A miúda gira olhou para ele.
— Alberto, podes parar de bater palmas?
— Não posso. Estou emocionado.
— Tu és um fantasma!
— Precisamente! Tenho poucas oportunidades para aplaudir com dignidade. 🫡🤣
Consuela limpou discretamente uma lágrima.
— É que ela tem razão…
A miúda gira sorriu.
— Eu não sou insubstituível em tudo. Não sou nenhuma super-heroína.
O Alberto levantou uma sobrancelha.
— Isso é discutível…
— Alberto!
— Está bem! 😅
— Mas posso ser substituída numa função, numa tarefa ou até num lugar. O que não pode ser substituído é aquilo que sou.
Consuela sorriu.
— Isso não se copia.
— Nem com fotocopiadora — acrescentou Alberto.
— Nem com impressora 3D — disse Consuela.
— Nem com inteligência artificial! — gritou Alberto.
A miúda gira ficou a olhar para os dois.
— Pronto. Agora já estragaram o momento. 😅😅
E foi assim que a miúda gira percebeu uma coisa muito simples:
podem ocupar o nosso lugar, fazer aquilo que fazemos e até tentar repetir os nossos passos.
Mas a nossa essência?
Essa vem com uma impressão digital que não dá para falsificar.
E a miúda gira levantou-se, foi buscar café e disse:
— Pronto. Agora chega de filosofia. Quem quer café?
Alberto levantou imediatamente a mão.
Consuela também.
E, naquele momento, ficou provado mais uma vez que a essência pode ser única… mas o café nesta casa continua a ser democrático. ☕🤣
📢Relatório da Consuela:
Após observação prolongada, concluo que a miúda gira pode ser substituída profissionalmente, mas não existe no mercado peça compatível com a personalidade original. Recomenda-se manutenção diária de café, gargalhadas e pessoas que gostem dela exatamente como é.
O Alberto continua a bater palmas sem autorização.😅😅💕❤️
Com carinho,
Carla Milho,
As confissões de uma miúda gira 🥰❤️