A primeira vez que senti que um pouco de mim morreu, foi quando acreditei que as outras vidas eram mais importantes que a minha. O mais caricato é que eu pensava que isso era ser humilde , sem que nunca me passa se pela cabeça que estava a abandonar me a mim mesma.
Morri mais outro bocadinho quando pensei que a vida perfeita era estável, segura e tinha atingido a minha zona de conforto, estava no sitio certo. Foi precisamente aí que deixei de saber aceitar e lidar com as mudanças , elas eram para mim um monstro.
Depois seguiram se outras mortes…
Dei por mim dar mais ouvidos aos meus medos ao invés de ouvir a voz pulsante dentro de mim, a razão.
Por dai em diante , foi o declínio pois passei a sofrer com mais facilidade e a permitir morrer em mais bocadinhos ainda.
Morri outro tanto , no dia em que a minha voz disse NÃO , quando tudo dentro de mim gritava SIM. Morri no dia em que não me disciplinei mais , em que não senti o som da vida que existia dentro de mim.
E quando penso nisto tudo , agora no presente , sinto que todas essas pequenas mortes ocorreram por minha escolha …e pensar que não somos nós quem decidimos essas coisas!
Somos nós sim , não duvidem !!!
Agora que me seguro com unhas e dentes á vida , neste capitulo da minha vida em que estou prestes a perder mais uma pessoa importante da minha vida , penso para mim , para quê?
Para quê permitir morrer em pedaços , quando ainda estamos vivos?
Para quê ( no meu caso), dar esse género de permissão, quando não dou permissão a uma doença como a minha ?
Só encontro uma palavra …Não fui humilde , fui ignorante por opção .
Não fui cobarde , como a maioria que eu conheço , mas também não pertenço a essa maioria , eu pertenço apenas a mim mesma . Por isso ser tão diferente , por isso não me sentir enquadrada em lado nenhum, por isso inda não me sentir satisfeita e concretizada.
A morte em si não me assusta , já a vi diante de mim duas vezes . O que me assusta é morrer estando viva , é morrer em bocadinhos. O que me assusta é não conseguir respirar , porque me sinto a sufocar por dentro .
Sim , não tenho vergonha em dize lo , aqui e partilhar isso convosco .
Teria vergonha sim , de ficar quieta no meu canto e não partilhar algumas das minhas experiencias , tentando sempre ajudar alguém que precise de uma palavra , pois eu também já precisei.
Sentir medo não é cobardia , admitir os nossos medos é um ato de grande coragem , acreditem!
Não se percam , não se deixem morrer em bocadinhos , existe sempre outra opção , não duvidem disso nunca !
Carla Milho

