Escrever ou Cozer Meias?

E, para descanso de quem está preocupado com a gestão do meu tempo, fiquem tranquilos: estou de baixa, mas isso não significa que tenha de passar os dias a contar azulejos ou a discutir com a máquina da roupa. Também continuo sem saber cozer meias, por isso achei mais sensato escrever. As palavras, felizmente, “remendam-me “muito melhor o espírito do que uma agulha alguma vez “remendaria” uma peúga.

Há quem olhe para o meu blogue e pense: “Esta mulher deve ter um tempo livre infinito. Escreve um texto atrás do outro. Deve passar os dias de pernas para o ar.”
Lamento desiludir. Nem passo os dias de pernas para o ar, nem aprendi a arte de cozer meias. Aliás, se me derem uma meia com um buraco e uma agulha, é provável que a meia acabe com mais buracos do que tinha no início.
A verdade é bem mais simples. Escrevo porque escrever me faz bem.
Enquanto uns fazem palavras cruzadas, outros cultivam tomates ou passam horas a ver séries, eu sento-me em frente às palavras. São a minha forma de arrumar pensamentos sem precisar de uma caixa de ferramentas.
Não escrevo porque tenho demasiado tempo. Escrevo porque preciso de encontrar um bocadinho de equilíbrio num mundo que, às vezes, parece ter sido montado por alguém que perdeu o manual de instruções.
E não, o blogue não paga as contas, nem substitui o trabalho. Se pagasse, prometo que já tinha contratado alguém para me ensinar finalmente a cozer meias.
Escrever não é fugir da realidade. Pelo contrário. É a forma que encontrei de a enfrentar com um sorriso, uma pitada de ironia e a esperança de que, algures desse lado, alguém leia um texto e pense: “Ainda bem que não sou só eu.”
Se isso acontecer, então cada palavra já valeu a pena.

E, para descanso de quem está preocupado com a gestão do meu tempo, fiquem tranquilos: estou de baixa, mas isso não significa que tenha de passar os dias a contar azulejos ou a discutir com a máquina da roupa. Também continuo sem saber cozer meias, por isso achei mais sensato escrever. As palavras, felizmente, “remendam-me “muito melhor o espírito do que uma agulha alguma vez “remendaria” uma peúga.

Carla Milho as confissões de uma miúda gira 🥰❤️

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