Legítima defesa

Nem todos os sentimentos morrem por falta de importância. Alguns morrem por excesso de desgaste.
Já insisti onde já só existia peso, já permaneci ligada a pessoas, contextos e dinâmicas que há muito tinham deixado de ser saudáveis para mim e durante muito tempo chamei a isso compromisso e lealdade.
Hoje sei que era medo de aceitar que haviam relações que precisavam de terminar para conseguir existir por inteiro.
Nem tudo o que experienciamos precisa de ser mantido vivo. Às vezes, prolongar um sentimento, uma relação seja ela afetiva ou profissional, não os honra, desgasta-nos.
Aprendi que deixar morrer também é uma forma de cuidado e que soltar por vezes não é indiferença mas lucidez. Que preservar-nos pode implicar parar de alimentar o que nos consome por dentro.
Porque há momentos em que continuar a sentir pesa mais do que deixar de sentir e nesses momentos, não se trata de desistência mas de legítima defesa.

Carla Milho as confissões de uma miúda gira 🥰❤️