Nem a força é eterna..

Durante muitos anos convenci-me de que ser forte era a única forma de sobreviver. Cresci a ouvir que o mundo não tem lugar para os frágeis e, sem me aperceber, fiz dessa frase um modo de viver.
Escondi a menina insegura que sempre habitou em mim e aprendi a mostrar apenas a mulher determinada, firme e aparentemente inabalável. Vesti uma armadura tão pesada que, com o passar do tempo, deixou de parecer um disfarce e passou a fazer parte da forma como os outros me viam.
Habituei quem me rodeia à ideia de que consigo suportar tudo. Que nunca me quebro. Que nunca me canso. E, talvez por isso, durante muito tempo também eu me proibi de reconhecer as minhas próprias fragilidades.
Mas até o ferro acaba por enferrujar. Até a alma mais resistente se dobra quando o peso da vida se torna demasiado difícil de carregar.
Há sorrisos que escondem tempestades. Há silêncios que gritam mais alto do que qualquer palavra. E há noites em que as lágrimas caem em segredo, longe de todos os olhares, porque nem sempre encontramos coragem para mostrar que também precisamos de colo.
Hoje vivo entre a vontade de continuar a juntar os pedaços que se desprendem de mim e a necessidade de deixar cair a armadura que durante tantos anos me protegeu.
Porque nem todos os dias sou farol. Há dias em que também me perco no nevoeiro. Nem todos os dias sou abrigo. Há momentos em que sou eu quem procura um lugar onde descansar.
E talvez a maior prova de coragem não seja continuar a fingir que está tudo bem, mas aceitar que ninguém consegue ser forte todos os dias.
Porque reconhecer o cansaço não é desistir. É apenas admitir que, antes de qualquer outra coisa, somos humanos!

Carla Milho as confissões de uma miúda gira 🥰❤️