
Há pessoas que contam uma mentira com uma tranquilidade tão convincente que quase nos fazem duvidar daquilo que vimos, ouvimos… e, em casos mais graves, até da nossa própria memória.
Durante muito tempo pensei que talvez eu estivesse a interpretar mal as situações. Afinal, ninguém gosta de acreditar que alguém consegue olhar-nos nos olhos e inventar uma história com a serenidade de quem está a dizer as horas.
Mas a vida também ensina. E ensina sem levantar a voz.
Aprendi que nem tudo merece discussão. Há conversas em que a verdade entra pela porta e a mentira já está confortavelmente sentada no sofá, de pantufas calçadas e uma chávena de café na mão.
Nesses momentos, em vez de gastar energia a tentar convencer alguém do óbvio, prefiro guardar a minha paz. Não porque desista da verdade, mas porque ela não precisa de fazer barulho para existir.
E confesso… se existisse uma cerimónia dos Óscares para algumas interpretações que já vi por aí, havia quem chegasse a casa com a estatueta debaixo do braço e ainda dissesse, com a maior naturalidade: “Qual Óscar? Eu nem participei.”
Eu sorria… desejava boa viagem e seguia caminho.
Porque, no fim de contas, a paz de espírito continua a ser o único prémio que realmente vale a pena levar para casa.
Com carinho,
Carla Milho,
As confissões de uma miúda gira 🥰❤️