Peter Pan e o Campeonato Mundial das Desculpas

Reza a lenda que, algures na Terra do Nunca, existe uma competição muito séria: o Campeonato Mundial das Desculpas.
As regras são simples. Sempre que aparece uma responsabilidade, vence quem conseguir apresentar a desculpa mais criativa… e, de preferência, com um ar de absoluta inocência.

Reza a lenda que, algures na Terra do Nunca, existe uma competição muito séria: o Campeonato Mundial das Desculpas.
As regras são simples. Sempre que aparece uma responsabilidade, vence quem conseguir apresentar a desculpa mais criativa… e, de preferência, com um ar de absoluta inocência.
Os concorrentes treinam durante anos.
Uns especializam-se no clássico: “Já ia fazer isso.”
Outros preferem o sofisticado: “Estava mesmo a pensar tratar desse assunto.”
Há ainda os artistas da surpresa: “Nem reparei!”
E não podem faltar os campeões da esperança: “Logo faço.”
O problema é que o “logo” tem um estranho sentido de orientação. Dá voltas, faz férias, tira fins de semana prolongados e, em muitos casos, nunca chega ao destino.
Os árbitros do campeonato continuam divididos sobre a desculpa mais difícil de bater. Uns defendem o eterno “Estou muito cansado.” Outros acreditam que o imbatível continua a ser: “É só cinco minutos.”
Cinco minutos… essa unidade de tempo fantástica que, no universo do Peter Pan, consegue durar mais do que uma temporada inteira de uma série.
Existe também uma modalidade muito apreciada pelo público: o lançamento da culpa. O objetivo consiste em descobrir um culpado alternativo antes que alguém diga a palavra “responsabilidade”. O trânsito, o telemóvel, o cão, o tempo, a internet, Mercúrio retrógrado… qualquer concorrente sabe que a imaginação vale pontos extra.
Apesar de tudo, o campeonato tem um pequeno problema de organização. Todos querem receber o troféu, mas ninguém aparece para montar o pódio.
Talvez por isso o verdadeiro vencedor nunca seja quem inventa a melhor desculpa. É quem percebe que algumas tarefas demoram menos tempo a fazer do que a justificar porque ainda não foram feitas.
No fim, a vida acaba por ser uma competição bastante diferente. Não distribui medalhas a quem arranja as melhores desculpas, mas costuma aplaudir, em silêncio, aqueles que aparecem, colaboram e fazem a sua parte sem precisar de conferências de imprensa.
E diz quem já visitou a Terra do Nunca que o campeonato continua por lá… embora a final tenha sido adiada. Ao que parece, ninguém teve tempo para a organizar.

Com carinho,

Carla Milho,

As confissões de uma miúda gira 🥰❤️

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