Peter Pan… Perdeste a Cabeça?

Peter Pan pediu a Fada Sininho em casamento.
Fez-se um silêncio tão grande que os Meninos Perdidos deixaram cair as espadas de brincar.
A Fada Sininho piscou os olhos uma vez.
Depois duas.
Levantou lentamente uma sobrancelha, olhou para Peter e perguntou com toda a calma do mundo:
— Peter… diz-me só uma coisa… o que é que tomaste?
Peter sorriu com um ar apaixonado.
— Nada! Foi uma decisão muito bem pensada!
Nesse preciso momento, ouviu-se uma gargalhada do outro lado da floresta.
Era o Capitão Gancho.
A rir.
Mas a rir mesmo.
Com lágrimas nos olhos .

Na Terra do Nunca aconteceu um acontecimento tão raro que até o crocodilo parou de fazer “tic-tac”.
Peter Pan pediu a Fada Sininho em casamento.
Fez-se um silêncio tão grande que os Meninos Perdidos deixaram cair as espadas de brincar.
A Fada Sininho piscou os olhos uma vez.
Depois duas.
Levantou lentamente uma sobrancelha, olhou para Peter e perguntou com toda a calma do mundo:
— Peter… diz-me só uma coisa… o que é que tomaste?
Peter sorriu com um ar apaixonado.
— Nada! Foi uma decisão muito bem pensada!
Nesse preciso momento, ouviu-se uma gargalhada do outro lado da floresta.
Era o Capitão Gancho.
A rir.
Mas a rir mesmo.
Com lágrimas nos olhos.
Quando finalmente conseguiu recuperar o fôlego, apontou para Peter e disse:
— Eu avisei-vos para esconderem o rum dos piratas!
A Fada Sininho cruzou os braços.
— Ah… já percebi.
Peter abanou a cabeça.
— Não, não! Estou perfeitamente lúcido!
Gancho voltou a rir.
— Lúcido? Meu rapaz… ontem tentaste convencer os Meninos Perdidos de que um mapa do tesouro era o manual de instruções de uma máquina de lavar roupa!
Os Meninos Perdidos confirmaram todos ao mesmo tempo.
— É verdade…
Peter ignorou completamente o comentário e voltou a olhar para a Fada Sininho.
— Então… aceitas?
A fada respirou fundo.
Muito fundo.
Tão fundo que uma nuvem mudou de sítio.
Depois respondeu:
— Peter… antes de pensar em casamento, experimenta primeiro uma experiência radical.
Peter arregalou os olhos.
— Voar sem pó mágico?
— Não.
— Enfrentar o Capitão Gancho?
— Também não.
— Então o quê?
A Fada sorriu.
— Experimenta guardar as tuas coisas no sítio durante uma semana inteira.
Peter ficou em silêncio.
O Capitão Gancho começou novamente a rir.
Os Meninos Perdidos começaram a fazer apostas.
O crocodilo engasgou-se com o relógio.
Peter olhou para todos e murmurou:
— Isso parece-me um compromisso muito sério…
A Fada Sininho deu-lhe uma palmadinha no ombro.
— Exatamente, Peter.
Casamento não é magia.
É compromisso.
E se sobreviveres a uma semana sem dizer “logo faço”, voltamos a conversar.
Peter fez rapidamente as contas.
Uma semana?
Sete dias?
Cento e sessenta e oito horas?
Aquilo parecia-lhe muito mais assustador do que enfrentar o Capitão Gancho.
Olhou para o céu, suspirou e disse:
— Sabes que mais? Talvez possamos começar por um namoro…
A Fada Sininho sorriu.
O Capitão Gancho limpou as lágrimas de tanto rir e comentou:
— Afinal o rum já está a passar…
E contam as más línguas que, desde esse dia, sempre que Peter Pan tem uma ideia muito revolucionária, a Fada Sininho faz apenas uma pergunta:
— Peter… tens a certeza de que isso não é mais um efeito secundário do rum dos piratas?
Ao que o Capitão Gancho responde sempre, muito ofendido:
— Ei! Não culpem o meu rum! Ele faz milagres… mas nem ele consegue explicar o Peter Pan!

Com carinho,

Carla Milho,

As confissões de uma miúda gira 🥰❤️

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