Não sei quem eram, não os conhecia mas discretamente o meu olhar pairou ali…
Duas pessoas, talvez com 70 anos sentadas lado a lado com suas mãos entrelaçadas e um deles com sua cabeça apoiada no ombro do outro…
O meu olhar fixou se ali, parado temporariamente numa espécie de deslumbre e senti uma enorme ternura por ter o privilégio de testemunhar algo assim… Tão simples, mas ao mesmo tempo tão verdadeiro.
Duas pessoas que certamente não estariam juntas há pouco tempo, e não deixaram que as controvérsias da vida lhes rouba se o carinho, o afecto, o companheirismo, todas estas palavras sinónimos de amor… E era notório, como eram chegados um ao outro, pela forma como os dedos de suas mãos se tocavam. Achei lindo o que os meus olhos viram naquele momento, naquela carruagem do metro de regresso a casa, após o meu tratamento.
Não sei se foi o caso, ou se quis o universo que eu testemunha se algo assim, tentando emitir me uma simples mensagem, uma mensagem pura e verdadeira. Foi isso que eu senti!
Fiquei deslumbrada por me ter cruzado com aquelas pessoas mais velhas que eu, talvez até com idade para serem meus avós, e que tanto afecto emanavam entre si, sem querem protagonismo, estavam apenas ali.
Ainda agora e já se passaram 2 horas, que aquela imagem, que aquela simples manifestação de afecto está vivida na minha mente, como se eu ainda estivesse ali, naquela carruagem de metro de regresso a casa.
Talvez pelo grande significado, talvez por ser tão lindo e verdadeiro, decidi partilhar algo tão bom e belo, como uma viagem de mãos dadas e entrelaçadas, amparado se mutuamente até ao fim!
Carla Milho
