
Há quem pense que o síndrome de Peter Pan é apenas uma recusa em crescer. Na verdade, em alguns casos, é uma verdadeira arte de selecionar apenas as partes da vida adulta que dão mais jeito.
Estas pessoas adoram a liberdade. Têm sempre tempo para um café, um jantar improvisado, um passeio de última hora ou mais uma conversa que “não podia ficar para amanhã”. A agenda social está sempre impecavelmente organizada.
Já as responsabilidades têm um talento impressionante para aparecer… precisamente quando elas estão ocupadas.
Curiosamente, gostam muito de chegar a um espaço limpo, de encontrar tudo organizado e de usufruir do conforto que alguém, algures, tornou possível. Acreditam profundamente na magia doméstica. Afinal, quem nunca ouviu falar da fada que lava a loiça, dobra a roupa, faz as compras e desaparece antes de ser vista?
Também são especialistas em frases como: “É só desta vez.” “Já vou.” “Daqui a cinco minutos.” Ou a clássica: “Nem reparei que era preciso.”
No fundo, não querem deixar de ser crianças. Querem apenas continuar a brincar enquanto os adultos tratam do resto.
O problema é que a vida não distribui responsabilidades por simpatia nem escolhe sempre os mesmos voluntários. Mais cedo ou mais tarde, percebe-se que maturidade não é perder a alegria nem abandonar os amigos. É simplesmente compreender que liberdade e compromisso não são rivais. São parceiros.
Porque crescer não significa viver aborrecido. Significa perceber que a Terra do Nunca é um excelente destino para férias… mas um péssimo lugar para estabelecer residência permanente.
Crescer não é deixar de sonhar. É perceber que, de vez em quando, também é preciso tirar o lixo.😅
Carla Milho as confissões de uma miúda gira 🥰❤️