Peter Pan A Invasão Dos Morcegos  e O Jogo De Futebol ⚽

Um enorme bando de morcegos apareceu vindo do meio da floresta.
— MORCEGOS! — gritou Sininho, levantando voo imediatamente.
— Finalmente alguma coisa interessante! — exclamou Gancho, desembainhando a espada.
Peter Pan nem se mexeu.
— Calma… isto é só uma interrupção temporária. O jogo ainda está empatado.

Na Terra do Nunca, aquela noite começou como tantas outras: os Meninos Perdidos jogavam futebol, Peter Pan estava sentado numa pedra a assistir e o Capitão Gancho tentava, pela enésima vez, convencer toda a gente de que a sua estratégia de jogo era muito superior.
Tudo corria normalmente.
Até que…
— FIIIIIIIIIIIII!
Um enorme bando de morcegos apareceu vindo do meio da floresta.
— MORCEGOS! — gritou Sininho, levantando voo imediatamente.
— Finalmente alguma coisa interessante! — exclamou Gancho, desembainhando a espada.
Peter Pan nem se mexeu.
— Calma… isto é só uma interrupção temporária. O jogo ainda está empatado.
Sininho olhou para ele incrédula.
— PETER! A TERRA DO NUNCA ESTÁ A SER INVADIDA!
— Já percebi. Mas olha aquele remate!
O Menino Perdido chutou a bola e marcou.
— GOOOOOOLO!
Peter levantou-se de imediato.
— EU SABIA! QUE JOGADA!
Enquanto isso, Sininho tentava afastar os morcegos com a sua varinha, voando de um lado para o outro.
— Saiam daqui! Vão para outra floresta!
Gancho, por sua vez, corria pelo campo com a espada no ar.
— VOLTEM PARA A VOSSA CAVERNA, SEUS RATOS COM ASAS!
Um morcego passou-lhe mesmo por cima da cabeça.
— Isso foi uma provocação!
Gancho tentou acertar-lhe com o chapéu.
Falhou.
Tentou novamente.
Falhou outra vez.
Acabou por perder o chapéu.
— SININHO!
— O quê?!
— Acho que eles estão a ganhar!
— Finalmente percebeste!
Os dois juntaram esforços.
Sininho fazia barulho com a varinha, Gancho agitava a espada e os Meninos Perdidos corriam em círculos.
Peter Pan continuava sentado.
— Peter! — gritou Gancho. — FAZ ALGUMA COISA!
Peter levantou os olhos.
— Posso dar instruções.
— Que instruções?!
— Mandem os morcegos para a esquerda. O vento está a ajudar.
Gancho ficou em silêncio.
Sininho também.
— E TU NÃO PODES AJUDAR?!
Peter encolheu os ombros.
— Posso… mas começou a segunda parte.
Foi nesse momento que Sininho e Gancho perceberam que estavam sozinhos naquela batalha.
Os dois trocaram um olhar.
— Trégua? — perguntou Gancho.
Sininho suspirou.
— Trégua.
E, pela primeira vez na história da Terra do Nunca, o Capitão Gancho e a fada Sininho trabalharam juntos.
Cinco minutos depois, conseguiram finalmente expulsar os morcegos.
Exaustos, sentaram-se no chão.
Peter aproximou-se tranquilamente.
— Então? Ganharam?
Gancho olhou para ele com uma expressão assassina.
— Sim.
— Boa! E o jogo?
— Também ganhámos! — gritaram os Meninos Perdidos.
Peter abriu um enorme sorriso.
— Excelente! Uma noite produtiva.
Sininho levantou uma sobrancelha.
— Para nós.
Peter piscou o olho.
— Cada um tem a sua missão.
E foi assim que a Terra do Nunca descobriu uma importante lição:
quando houver uma invasão de morcegos, não contem com Peter Pan.
A menos que haja futebol na televisão. 🤣🤣⚽🤣

Com carinho,

Carla Milho,

As confissões de uma miúda gira 🥰❤️

Peter Pan, o Egoísmo e o Mediador de Serviço

Ninguém queria ser testemunha daquele momento histórico.
Foi então que apareceu o Capitão Gancho.
Olhou para Peter.
Olhou para Sininho.
Olhou para os Meninos escondidos.
— O que se passa?

Na Terra do Nunca houve uma discussão.
E não foi uma discussão qualquer.
Foi entre Peter Pan e a Fada Sininho.
Peter estava ofendido porque, segundo ele, ninguém estava a respeitar as suas necessidades.
— Eu também tenho direito de fazer o que me apetece!
A Fada Sininho levantou uma sobrancelha.
— Claro, Peter. E os outros têm o direito de não viverem exclusivamente em função do que te apetece.
Silêncio.
Peter cruzou os braços.
— Mas eu sou assim!
— Eu sei — respondeu a Fada. — Esse é precisamente o problema.
Os Meninos Perdidos esconderam-se imediatamente atrás de uma árvore.
Ninguém queria ser testemunha daquele momento histórico.
Foi então que apareceu o Capitão Gancho.
Olhou para Peter.
Olhou para Sininho.
Olhou para os Meninos escondidos.
— O que se passa?
Um dos Meninos murmurou:
— Egoísmo em estado avançado.
Gancho aproximou-se de Peter.
— Rapaz, sabes qual é a diferença entre ter personalidade e achar que o mundo inteiro deve adaptar-se a ela?
Peter ficou a pensar.
— Não.
— Então estás mesmo com trabalho de casa.
A Fada Sininho tentou não rir.
Peter continuou emburrado:
— Mas eu só quero ser feliz!
Gancho respondeu:
— Excelente. Agora tenta não ser feliz à custa da paciência de toda a gente.
Peter olhou para Sininho.
Depois respirou fundo.
— Está bem… talvez tenha exagerado.
A Fada sorriu.
— Talvez?
Gancho interrompeu:
— Sininho, deixa estar. Para um Peter Pan, reconhecer “talvez” já é praticamente uma declaração pública de maturidade.
Os Meninos Perdidos começaram a bater palmas.
Peter revirou os olhos.
— Vocês são todos contra mim!
Gancho deu-lhe uma palmadinha no ombro.
— Não, Peter. Só estamos a tentar evitar que transformes cada discussão numa conferência mundial sobre a tua pessoa.
E dizem as más línguas que, nesse dia, o Capitão Gancho ganhou oficialmente o título de Mediador da Terra do Nunca.
Sem salário.
Sem férias.
E, sobretudo, sem direito a dizer:
“Já não é problema meu.” 😂🤪

Com carinho,

Carla Milho,

As confissões de uma miúda gira 🥰❤️

Peter Pan, Edição “Quando Me Dá Jeito”

Crescer não é deixar de sonhar. É perceber que, de vez em quando, também é preciso tirar o lixo.😅

Há quem pense que o síndrome de Peter Pan é apenas uma recusa em crescer. Na verdade, em alguns casos, é uma verdadeira arte de selecionar apenas as partes da vida adulta que dão mais jeito.
Estas pessoas adoram a liberdade. Têm sempre tempo para um café, um jantar improvisado, um passeio de última hora ou mais uma conversa que “não podia ficar para amanhã”. A agenda social está sempre impecavelmente organizada.
Já as responsabilidades têm um talento impressionante para aparecer… precisamente quando elas estão ocupadas.
Curiosamente, gostam muito de chegar a um espaço limpo, de encontrar tudo organizado e de usufruir do conforto que alguém, algures, tornou possível. Acreditam profundamente na magia doméstica. Afinal, quem nunca ouviu falar da fada que lava a loiça, dobra a roupa, faz as compras e desaparece antes de ser vista?
Também são especialistas em frases como: “É só desta vez.” “Já vou.” “Daqui a cinco minutos.” Ou a clássica: “Nem reparei que era preciso.”
No fundo, não querem deixar de ser crianças. Querem apenas continuar a brincar enquanto os adultos tratam do resto.
O problema é que a vida não distribui responsabilidades por simpatia nem escolhe sempre os mesmos voluntários. Mais cedo ou mais tarde, percebe-se que maturidade não é perder a alegria nem abandonar os amigos. É simplesmente compreender que liberdade e compromisso não são rivais. São parceiros.
Porque crescer não significa viver aborrecido. Significa perceber que a Terra do Nunca é um excelente destino para férias… mas um péssimo lugar para estabelecer residência permanente.

Crescer não é deixar de sonhar. É perceber que, de vez em quando, também é preciso tirar o lixo.😅

Carla Milho as confissões de uma miúda gira 🥰❤️

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