Peter Pan, o Egoísmo e o Mediador de Serviço

Ninguém queria ser testemunha daquele momento histórico.
Foi então que apareceu o Capitão Gancho.
Olhou para Peter.
Olhou para Sininho.
Olhou para os Meninos escondidos.
— O que se passa?

Na Terra do Nunca houve uma discussão.
E não foi uma discussão qualquer.
Foi entre Peter Pan e a Fada Sininho.
Peter estava ofendido porque, segundo ele, ninguém estava a respeitar as suas necessidades.
— Eu também tenho direito de fazer o que me apetece!
A Fada Sininho levantou uma sobrancelha.
— Claro, Peter. E os outros têm o direito de não viverem exclusivamente em função do que te apetece.
Silêncio.
Peter cruzou os braços.
— Mas eu sou assim!
— Eu sei — respondeu a Fada. — Esse é precisamente o problema.
Os Meninos Perdidos esconderam-se imediatamente atrás de uma árvore.
Ninguém queria ser testemunha daquele momento histórico.
Foi então que apareceu o Capitão Gancho.
Olhou para Peter.
Olhou para Sininho.
Olhou para os Meninos escondidos.
— O que se passa?
Um dos Meninos murmurou:
— Egoísmo em estado avançado.
Gancho aproximou-se de Peter.
— Rapaz, sabes qual é a diferença entre ter personalidade e achar que o mundo inteiro deve adaptar-se a ela?
Peter ficou a pensar.
— Não.
— Então estás mesmo com trabalho de casa.
A Fada Sininho tentou não rir.
Peter continuou emburrado:
— Mas eu só quero ser feliz!
Gancho respondeu:
— Excelente. Agora tenta não ser feliz à custa da paciência de toda a gente.
Peter olhou para Sininho.
Depois respirou fundo.
— Está bem… talvez tenha exagerado.
A Fada sorriu.
— Talvez?
Gancho interrompeu:
— Sininho, deixa estar. Para um Peter Pan, reconhecer “talvez” já é praticamente uma declaração pública de maturidade.
Os Meninos Perdidos começaram a bater palmas.
Peter revirou os olhos.
— Vocês são todos contra mim!
Gancho deu-lhe uma palmadinha no ombro.
— Não, Peter. Só estamos a tentar evitar que transformes cada discussão numa conferência mundial sobre a tua pessoa.
E dizem as más línguas que, nesse dia, o Capitão Gancho ganhou oficialmente o título de Mediador da Terra do Nunca.
Sem salário.
Sem férias.
E, sobretudo, sem direito a dizer:
“Já não é problema meu.” 😂🤪

Com carinho,

Carla Milho,

As confissões de uma miúda gira 🥰❤️