Existia agora algo naquele homem que anteriormente não fazia parte de si, e isso era sem dúvida um empecilho para levar o plano superior a outra coisa qualquer avante.
Longe de ver todo aquele pesadelo terminado , aquele homem simples e totalmente esgotado pelo cansaço, sucumbiu ao sono deixando o seu corpo escorregar no chão.
Aqueles olhos terríveis que estavam pintados na parede , incidiam sobre ele, parecendo estar a zelar por si , mas longe disso ser a verdade.
Existia agora algo naquele homem que anteriormente não fazia parte de si, e isso era sem dúvida um empecilho para levar o plano superior a outra coisa qualquer avante.
Uma espécie de aura pairava precisamente no lugar onde o seu corpo permanecia deitado.
A luz do dia já se avistava lá fora, anunciando consigo um novo dia.
Ouviam se gritos , sabe se lá de quem , embora eles surgissem de perto , e rapidamente o barulho de sirenes também se podiam ouvir. A figura de um homem caminhando lentamente na direção daquela casa , parando de vez em quando como se estivesse a ganhar coragem para continuar o seu caminho , surgia no outro lado da rua.
De dentro de um carro da policia , saia uma mulher exibindo um crachá identificando se e permitindo dessa forma a sua entrada na casa.
Toda a vizinhança estava na rua , fazendo parte dos inúmeros policias que se encontravam a selar a área que dava acesso aquela casa!
Finalmente , o homem que caminhava do outro lado da rua , encontrava se diante a todo aquele horrível espetáculo…
Lá fora , nada parecia ter mudado , não parecia que o seu mundo havia mudado tão drasticamente nestas últimas horas. Parecia que ninguém se iria importar.
A voz daquela mulher , da detetive , se é que ela realmente o era , continuava a declamar aquela frase uma e mais outra vez!
Foi quando viu os corpos dos seus pais , a revirarem se no chão em movimentos estranhos e repetidos a uma velocidade bruta , e algo acontecia enquanto os seus corpos não paravam!
Aqueles olhos fixavam o olhar no liquido vermelho , que caia a conta gotas dos corpos , já não lhes restava muito sangue . Os seus corpos pareciam velhas carcaças , que haviam sido espremidas até á última gota de sangue.
Era isso ! Era isso mesmo que aquela horrível mulher estava a fazer . Estava a certificar se que não ficariam com sangue nenhum .
Ele mais uma vez assisti a tudo aquilo , sem poder intervir. Foi então que uma das mãos da mulher , apanhou para um objeto semelhante a um frasco pequeno , uma determinada quantidade de sangue que estava no chão .
Ouviu a dizer :
Tenho que ter a certeza que tenho a quantidade necessária , e de ambos , pois ainda não temos a certeza qual é o mais poderoso.
Lá fora , nada parecia ter mudado , não parecia que o seu mundo havia mudado tão drasticamente nestas últimas horas. Parecia que ninguém se iria importar.
O amanhecer estava prestes a surgir , dando inicio a um novo dia .
Ao olhar novamente para o lugar onde aquela mulher se encontrava , viu que a sua presença já não estava ali. Havia abandonado aquele lugar sem deixar rastro, ou indícios que era real.
Sentou se no chão , estava completamente esgotado ,sem forças para se manter em pé. Apenas ansiava o momento de poder sair dali , mas não parecia que isso estava para acontecer ….
Ouviu então a voz da detetive balbuciar algo que não conseguiu compreender , foi quando olhou e viu que ela estava a ler algo numa das páginas daquele intrigante livro….
Os seus olhos estavam completamente esbugalhados , ao olhar para a figura que se deparava diante de si. Não sabia o que pensar , nem como agir perante tamanha surpresa horrível!
Era uma figura mediana , com vestes estranhas , era uma mulher . Uma mulher que havia visto e com quem já havia estado , a detetive encarregue pelo caso do homicídio de seus pais.
Conseguia ver que ela tinha as mãos sujas de sangue , e também um livro cuja capa lhe chamou a atenção. Se a sua memória não lhe estivesse a pregar uma partida , sabia que já tinha visto aquele livro antes na sua vida , quando era mais novo.
A capa daquele livro era feita de um material peculiar e um pouco assustador , era feita de ossos. Pela lombada do livro conseguia ver que era um livro extenso co muitas páginas .
Não conseguia lembrar se ao certo em que fase da sua vida , tinha visto aquele livro , mas tinha a certeza absoluta que sim.
O seu desejo em tomar uma atitude era muito grande , mas começava agora a ter a noção que estava ali como espetador , para quem sabe desvendar quem foi ou quem foram os assassinos de seus pais.
De repente ouviu um som agudo muito alto , e ao olhar para o rosto da detetive , viu que as expressões e feições tinham alterado de forma assustadora , principalmente os olhos.
Ah ! Aqueles olhos , os olhos que estavam pintados na parede com o sangue de seus pais.
No rosto alterado , viam se veias muito escuras que mudavam de cor , fazendo com que aquela figura se torna se ainda mais assustadora!
Ouviu então a voz da detetive balbuciar algo que não conseguiu compreender , foi quando olhou e viu que ela estava a ler algo numa das páginas daquele intrigante livro….
Uma carta para ti, para mim, para aquele que necessite, um ótimo exercício.
Uma caneta , um papel . E temos o necessário para começar a escrever…
Uma carta para ti, para mim, para aquele que necessite, um ótimo exercício.
Por todas as certezas que viraram incertezas , por todas as seguranças que te colocaram num estado de inseguranças , por todas as surpresas desagradáveis , por todos os doces que te deixaram um travo a amargo…Sim ,por todas estas razões e por mas algumas que me possa ter esquecido, perdoa te !
Este é o primeiro passo a dar e o primeiro paragrafo a ser escrito, o resto vai desaparecer á medida que o tempo vá passando , porque o tempo é o melhor aliado e conselheiro de sempre!
O tempo poderá minimizar, contudo não irá apagar aquelas cicatrizes mais profundas , aquelas mágoas mais tristes , aquelas lágrimas derramadas de amargura.
Mas irei descobrir que nem toda a desilusão foi totalmente em vão, que as noites passadas acordada deambulando pela casa ,onde a única companhia por meses a fio, foi a insónia , sim mais lá em diante irei descobrir que nem tudo foi em vão …
Irei ter a capacidade de aprender , de me redescobrir e quem sabe novamente colorir os restantes capítulos da minha vida . Não foram perdas , foram desvios que o destino fez questão de remover do meu caminho , ao ver me chorar .Pensei tanto e tudo aquilo que pensei , todas as dúvidas que senti , eram apenas aprendizagens , eram apenas empecilhos que me impediam de crescer , mas que eu teimava em manter por perto.
Tanto tempo foi desperdiçado , com tolices , com memórias que hoje em dia não acredito mais , com planos feitos outrora aqueles que não os desejo mais ,abandonei tudo numa folha de papel esborratada de tinta .Arrependimentos só tenho daquilo que por mim não fiz, porque insisti em fazer pelos outros, por aqueles que não souberam agradecer e muito menos retribuir . Obrigado a todos os que fizeram questão de brincar ao faz de conta , criando a ilusão que tudo era perfeito , e que na fotografia tirada todos os que lá estavam, sorriam.
Sorrisos de felicidade, sorrisos falsos , eis a mais pertinente das questões!
Sinceramente , não sei mas agora não desejo mais saber , pois o timing já passou e consigo o meu desejo levou. E o truque , a verdadeira magia não era compreender , era sim aceitar .
Aceitar as não culpas , mesmo aquelas em que os dedos foram apontados , aquelas que tanto me cansaram e quase me custaram um preço demasiado caro, não esqueci mas escolhi não me lembrar mais . Ao aceitar aquilo que não fiz , descobri os principais e únicos culpados e foi nesse preciso momento que senti paz.
O perdão apenas o irei dar a mim, pois os que erraram fizeram no tantas vezes , cometeram o mesmo erro vezes a perder de conta , que pela minha perspetiva deixaram de ser erros passando a ser opções , escolhas. E eu não devo desculpar tantas vezes , não é benéfico para mim apenas o era para aqueles que quando me viam zangada , diziam sem o sentir aquilo que eu mais desejava ouvir… Pois então o meu perdão não o merecem !
Merecem o meu silêncio, o meu desinteresse , e a minha compaixão porque sinto piedade pelas tristes encenações que fazem questão de representar.
A minha personalidade, a minha essência não me permite representar , o meu lado emotivo denuncia me de imediato , através das mil e uma caretas que meu rosto exprime.
Se são felizes que o sejam , nada de mal lhes desejo porque decidi que aquilo que em nada me acrescenta , não me faz falta e nem um pingo de saudades até hoje eu senti.
E assim ao escrever esta carta , uma fogueira acendi e no fogo aceso queimei todas estas palavras , todos estes desabafos , todas estas tolices . E no meio do fumo alaranjado , no meio das alegres labaredas , uma cor branca imergiu . Essa cor foi com o vento e consigo levou o meu desalento.
Obrigado a todos os que lêem e apreciam o meu blog, vemos nos no meu próximo post até lá um bem haja a todos vós! 🌹💖
Após ouvir a voz do seu pai pela última vez , apercebeu se que estava novamente a girar , a transitar daquele momento , para outro …Os seus pensamentos estavam a mil á hora , sentia se agoniado , tonto e sem força nos membros inferiores e superiores do seu corpo … parecia que o seu corpo era feito de barro ou de outro material moldável!
Não sabia onde ia parar agora , o que mais iria ver e o que mais o esperava, e sentia se completamente exausto, a necessitar de descansar e esquecer tudo…
Uma das suas mãos tocaram no bolso de suas calças , e ele sentiu que tinha um objeto quase a cair lhe do bolso, mas como ainda estava a rodopiar não conseguia ver o que era .Resolveu que era melhor esperar , no entanto segurou com uma das suas mãos aquilo que estava no seu bolso.
Parou…Encontrava se novamente onde tinha começado, no meio da sala de estar .
No chão, jaziam os corpos ensanguentados de seus pais , e as expressões que tinham ficado nos seus rostos eram de horror , de pânico e desespero. Os seus olhos estavam novamente toldados pelas lágrimas , o que não lhe permitia ver nitidamente , de repente apercebeu se que o som dos tambores tinha parado , e o silêncio tinha ocupado o seu lugar.
Viu algo ou melhor alguém diante dos corpos de seus pais . O que quer que fosse tinha consigo um objeto que emitia uma luz vermelha muito intensa , a mesma cor daqueles olhos que tão bem conhecia. E ali estavam eles , na mesma parede pintados com uma tinta vermelha brilhante …era o sangue de seus pais , conclui horrorizado!
Desta vez conseguia movimentar se , e foi arrastando o seu pobre corpo muito cansado até ao lugar onde avistava com muita dificuldade aquela figura. O intenso cheiro de sangue causava lhe ainda mais náuseas e mau estar , mas não desistiu precisava chegar até lá e olhar nos olhos do assassino dos seus pais! Era desejo mais latente dentro de si!
Com um enorme esforço , conseguiu levantar se e quando olhou para ver quem era aquela figura horrenda , os seus olhos abriram se de espanto!