Após ouvir a voz do seu pai pela última vez , apercebeu se que estava novamente a girar , a transitar daquele momento , para outro …Os seus pensamentos estavam a mil á hora , sentia se agoniado , tonto e sem força nos membros inferiores e superiores do seu corpo … parecia que o seu corpo era feito de barro ou de outro material moldável!
Não sabia onde ia parar agora , o que mais iria ver e o que mais o esperava, e sentia se completamente exausto, a necessitar de descansar e esquecer tudo…
Uma das suas mãos tocaram no bolso de suas calças , e ele sentiu que tinha um objeto quase a cair lhe do bolso, mas como ainda estava a rodopiar não conseguia ver o que era .Resolveu que era melhor esperar , no entanto segurou com uma das suas mãos aquilo que estava no seu bolso.
Parou…Encontrava se novamente onde tinha começado, no meio da sala de estar .
No chão, jaziam os corpos ensanguentados de seus pais , e as expressões que tinham ficado nos seus rostos eram de horror , de pânico e desespero. Os seus olhos estavam novamente toldados pelas lágrimas , o que não lhe permitia ver nitidamente , de repente apercebeu se que o som dos tambores tinha parado , e o silêncio tinha ocupado o seu lugar.
Viu algo ou melhor alguém diante dos corpos de seus pais . O que quer que fosse tinha consigo um objeto que emitia uma luz vermelha muito intensa , a mesma cor daqueles olhos que tão bem conhecia. E ali estavam eles , na mesma parede pintados com uma tinta vermelha brilhante …era o sangue de seus pais , conclui horrorizado!
Desta vez conseguia movimentar se , e foi arrastando o seu pobre corpo muito cansado até ao lugar onde avistava com muita dificuldade aquela figura. O intenso cheiro de sangue causava lhe ainda mais náuseas e mau estar , mas não desistiu precisava chegar até lá e olhar nos olhos do assassino dos seus pais! Era desejo mais latente dentro de si!
Com um enorme esforço , conseguiu levantar se e quando olhou para ver quem era aquela figura horrenda , os seus olhos abriram se de espanto!
O som dos tambores era cada vez mais forte , tornando se cada vez mais difícil para ele conseguir suportar , pois dos seus ouvidos o sangue que saia já começava a ser com mais intensidade.
Os seus pais e o seu assassino continuavam a falar naquele estranho idioma, mas as vozes estavam cada vez mais fracas e quase que já não as conseguia ouvir . Além daquele horror de sangue que saía dos inúmeros ferimentos dos corpos de seus pais, o seu assassino parecia estar longe de se sentir satisfeito , ele não sabia como mas era um pensamento que lhe surgiu em seus pensamentos , após ouvir a voz de sua mãe … Ele ao mesmo tempo pedia misericórdia porque o que os seus pais estavam a sofrer era pior que uma tortura!
Era isso, pensou para si mesmo. O que aquele assassino invisível estava a fazer , era torturar os seus pais , fazendo os sangrar para os enfraquecer , e uma falsa esperança surgiu na sua cabeça. Talvez não seja para os matar…Mas rapidamente a lógica o chamou á triste realidade, pois sabia que eles tinham mesmo morrido , que essa realidade não poderia ser transformada nem negada , pois ele estava ali apenas como um espetador , e um inútil pois não podia fazer nada.
E novamente os tambores tocavam com mais força , com notas mais altas . Notas que sentia serem de festejo , como se anunciassem um grande acontecimento , algo digno de uma grande comemoração.
Tinha aquelas estranhas perceções, não conseguia entender porquê , embora continua se a ser séptico com tudo aquilo que não funciona se pela lógica , não podia continuar a negar que as suas perceções acabavam sempre por estarem certas!
Estava à beira do desespero pois estava encharcado no sangue de seus pais, estava novamente sem conseguir sair daquele sítio, não suportava mais as dores de cabeça e ouvidos que sentia e a vontade de não querer assistir à morte de seus pais crescia e dominava o cada vez com mais intensidade…
Sabemos que estás aí, mas é chegada a hora de ires embora… Vai meu filho, levas contigo algo mais importante que as nossas vidas… Vai, AGORA.. JÁ! Ouvi ele pela última vez a voz de seu pai…