
Há batalhas que se travam à nossa frente e outras que acontecem dentro de nós. As primeiras são visíveis. As segundas, quase sempre, passam despercebidas.
Tenho descoberto que, perante tudo o que estou a viver, a ansiedade pode ser uma adversária ainda mais difícil do que as próprias circunstâncias.
Esta é também uma luta que travo todos os dias. Uma luta silenciosa, que nem sempre se vê por detrás de um sorriso ou de uma palavra de esperança. Há dias em que consigo mantê-la à distância. Noutros, ela ganha algum espaço e sinto o desânimo aproximar-se. Não porque tenha perdido a fé ou a vontade de continuar, mas porque também sou humana e há um limite para o peso que o coração consegue suportar.
A ansiedade chega sem pedir licença. Rouba-me o sono, acelera-me os pensamentos, faz-me imaginar cenários que ainda não existem e convence-me, por momentos, de que não vou conseguir dar mais um passo.
Ela tem uma capacidade cruel: faz-nos sofrer hoje por um amanhã que pode nunca acontecer. E, enquanto nos prende ao “e se…?”, vai-nos roubando o único tempo que realmente temos: o presente.
Escrever estas palavras não é um pedido de compaixão. É apenas a forma mais honesta que encontrei de dizer que, por detrás de um sorriso, também há uma batalha. E que, apesar dela, continuo a escolher viver com esperança.
Não é fácil manter a serenidade quando a pessoa que mais amamos enfrenta uma doença tão dura. Não é fácil esperar por decisões, por exames, por respostas ou por dias melhores.
Houve um momento em que percebi que precisava de dar um passo importante. Com o incentivo e o apoio do meu filho mais novo, que está diariamente ao meu lado, recorri a ajuda psiquiátrica. Foi ele quem me ajudou a compreender que pedir ajuda não era um sinal de fraqueza, mas um ato de coragem.
O meu filho mais velho, por motivos profissionais, não está em Lisboa e só consegue vir a casa aos fins de semana e também tem a sua família.Por isso, não nos pode acompanhar presencialmente como certamente gostaria. Ainda assim, nunca duvidei do seu amor, da sua preocupação e do apoio constante que nos dá. A distância nunca diminuiu o laço que nos une, porque há presenças que se fazem sentir muito para além da proximidade física.
Felizmente, nesta caminhada nunca me senti completamente sozinha. Tenho a felicidade de contar com o amor e o apoio incondicional da minha mãe, dos meus filhos e de outras pessoas muito especiais na minha vida. Cada palavra de incentivo, cada abraço, cada gesto de carinho e cada presença, silenciosa ou constante, ajudam-me a reencontrar forças quando sinto que elas começam a faltar. Talvez nunca consiga agradecer o suficiente a quem caminha ao meu lado, mas quero que saibam que fazem toda a diferença.
Mas também estou a aprender uma coisa importante: não posso permitir que a ansiedade conduza a minha vida. Posso ouvi-la, reconhecer que existe, mas não lhe posso entregar o volante, e está a ser muito difícil.
Estou a aprender a agarrar-me ao que é real. Ao abraço de quem amo. À esperança que ainda vive dentro de mim. À fé que me lembra que nem tudo depende das minhas forças.
Continuarei a ter dias difíceis. Haverá momentos em que a ansiedade voltará a bater à porta e em que o desânimo tentará fazer-se ouvir. Ainda assim, escolho continuar, assim o tem de ser.Não porque seja mais forte do que os outros, mas porque sei que não caminho sozinha. O amor, a dedicação e a presença das pessoas mais importantes da minha vida lembram-me, todos os dias, que vale a pena continuar a acreditar.
Porque a ansiedade pode ser uma inimiga persistente… mas nunca será mais forte do que a esperança que estou a aprender a alimentar, um dia de cada vez❣️🙏
Carla Milho as confissões de uma miúda gira 🥰❤️





