


Foto por Rachel Claire em Pexels.com 


Olá caros leitores ,
O dia em que me senti mais sozinha , desamparada e com a sensação que o chão fugia dos meus pés , foi precisamente há 20 anos atrás , no dia 1 de Março de 2001.
Naquela triste e sufocante madrugada , que o meu telemóvel tocou e do outro lado era a minha mãe a dizer me que o meu tio , o meu pai, sim pai tinha acabado de falecer. Não me consigo lembrar como , mas ás duas e meia da manha entrei pela porta das urgências do Instituto Português De Oncologia. Após ver o corpo do meu tio , entrei num enorme e desesperante modo de pânico , não sabia o que fazer , para onde ir , só queria desaparecer daquela realidade tão cruel!
Apetecia me fugir , correr e correr sem parar , sem olhar para trás , para lado nenhum , sentia me furiosa …completamente desesperada!
Sei que fui medicada com um calmante forte e não me recordo de ter chegado a casa , sei que estava com o meu marido , mas nem me lembro de ter deixado os meus filhos com os meus avós , pois eles eram muito pequenos nessa altura .
Parece que o meu cérebro eliminou aquele momento de sofrimento da minha memória , deixando espaços temporais vazios sem recordações , acreditem que é muito estranha esta sensação !
Não irei descrever os momentos seguintes , nem os dias a seguir , esses eu lembro me muito bem , mas não irei reviver momentos que me causam tanto sofrimento até hoje.
Sei que no dia 4 de Março dormi o dia inteiro , e recordo me bem da primeira sensação e pensamento , que tive ao acordar …Era mesmo verdade , não tinha sonhado e senti a solidão crescer dentro de mim , assim como o desamparo e novamente o desespero.
Durante algum tempo , fiz algo que não se deve fazer , ia com muita frequência ao cemitério , visitar a sua campa , eu ia com a falsa esperança de encontrar ali as respostas para as minhas perguntas e talvez diminuir a minha raiva , que era muito grande .
Mas não encontrei nada , a não ser a dura realidade e cada vez que olhava para aquela campa , chorava , e revoltava me ainda mais com tudo e com todos . Não queria que ninguém fosse comigo quando lá ia , porque nunca gostei de chorar á frente de ninguém , existem momentos que são só meus e aquele era um deles !
Perdi a conta das vezes que pedi aos céus mais uma oportunidade de estar com ele, e eu sei que era isso que me levava a visitar a sua campa , encontra lo , sim eu sei uma perfeita e enorme estupidez da minha parte , mas era o desespero e a dor da perda a falarem mais alto.
Não tenho razões para ter remorosos , fiz tudo ao meu alcance para que o meu tio enquanto esteve vivo , senti se que o amava , mas nunca será fácil dizer aquele adeus definitivo , aquele que sabemos que é mesmo uma despedida!
E a minha fase de negação durou ainda uns anos , durou até ao ano que fui operada a primeira vez e a minha doença finalmente foi declarada e diagnosticada , curiosamente em Março de 2004 .Após ter feito uma histerectomia (remoção do útero), porque tinha um cancro no colo do útero , aos 26 anos , prometi a mim mesma ter mesma coragem ,que o meu tio teve durante dois anos e meio que lutou contra o cancro do pulmão !
Fui avisada pelo médico que me salvou a vida nessa altura , que a minha luta , que a minha jornada apenas tinha começado e que teria que ser corajosa para enfrentar aquilo que me esperava até ao resto da minha vida , e a verdade surpreendente é que apesar de tudo , de todas as batalhas que já enfrentei e continuo a enfrentar , ainda estou cá viva !
Porque será?!….





































