Points of view

Este é o meu ponto de vista sobre a vida e sobre o que é viver de uma forma diferente!

Olá caros leitores,

Todos temos diferentes opiniões , e pontos de vista podendo ser mesmo até sobre o mesmo assunto , ninguém pensa da mesma forma …pode até ser semelhante , mas nunca é igual !

Para a maioria das pessoas tornou se mais fácil criticar , do que tentar compreender e normalmente as criticas raramente são construtivas , a sua maioria são destrutivas.

Se há coisa que a minha doença me tem vindo a ensinar ao longo destes anos , é a ignorar a maioria das opiniões e criticas, acerca da forma como eu lido e levo a minha vida com as restrições que me são colocadas , e sabem porquê ?!

Porque a vida é minha e a doença também , e se eu algum dia eu tivesse dependido de incentivos ou de criticas positivas , bem já não estaria viva faz muitos anos. Alguns duvidam que o meu problema de saúde é grave e chegaram ao ponto ridículo de destabilizar o meu equilíbrio quando há 3 anos eu fui operada para me retirarem dois órgãos , sendo um deles muito importante para o sistema imunitário, mas esses estão na lista do carma , tenho a certeza que sim porque a maldade que se pratica é aqui neste mundo que é paga. Depois existem aqueles que estão tão conformados com o facto de eu estar doente , que cada vez que eu pioro , ou que apresento um sintoma anormal , fingem que não veem ou fingem preocupar se.

Mas eu já faz muito tempo que me desliguei da parte que emocional que um dia me ligou a essas pessoas , e só espero que o futuro não lhes reserve um destino pior que o meu , porque aprendi a preocupar me e a pensar no meu futuro , porque nunca pretendi ter uma doença e muito menos que ela se tornasse um incomodo para alguém. E este género de sentimento de culpa , bem quase me destruiu ,de tanto me terem castigado por estar doente, como se eu tivesse escolhido… ridículo !!!!

O ponto de vista de quem não tem uma doença ou que nunca teve algo que o assusta se , é sempre leve , descartando sempre a possibilidade que um dia também poderá ter uma , julgando se intocável a esse estúpido ponto, mas é isso que eu tenho vindo a observar á 17 anos.

Felizmente também conheci pessoas maravilhosas que hoje em dia são minhas amigas chegadas , e talvez por serem profissionais de saúde e lidarem diariamente com doenças e com morte tem uma sensibilidade diferente daqueles que julgam que quem não fica deitado numa cama á espera da morte têm !

A vocês , meu queridos amigos, obrigado por estarem na minha vida e me empurrarem para a frente!

Tenho uma personalidade muito forte e fui educada a ser assim durona , uma sobrevivente , a ignorar gente negativa , tóxica e estúpida , por isso quem não me faz falta nada me acrescenta e até mesmo quem me possa fazer falta , se me começar a fazer mal , lentamente eu desligo me dela …porque eu escolhi viver e não aceitar mais migalhas!

Este é o meu ponto de vista sobre a vida e sobre o que é viver de uma forma diferente!

Espero que continuem a acompanhar o meu blog e a minha escrita, obrigado e um grande bem haja a todos vós! 🌹💖

The loneliest day of my life

O dia em que me senti mais sozinha , desamparada e com a sensação que o chão fugia dos meus pés , foi precisamente há 20 anos atrás , no dia 1 de Março de 2001.

Olá caros leitores ,

O dia em que me senti mais sozinha , desamparada e com a sensação que o chão fugia dos meus pés , foi precisamente há 20 anos atrás , no dia 1 de Março de 2001.

Naquela triste e sufocante madrugada , que o meu telemóvel tocou e do outro lado era a minha mãe a dizer me que o meu tio , o meu pai, sim pai tinha acabado de falecer. Não me consigo lembrar como , mas ás duas e meia da manha entrei pela porta das urgências do Instituto Português De Oncologia. Após ver o corpo do meu tio , entrei num enorme e desesperante modo de pânico , não sabia o que fazer , para onde ir , só queria desaparecer daquela realidade tão cruel!

Apetecia me fugir , correr e correr sem parar , sem olhar para trás , para lado nenhum , sentia me furiosa …completamente desesperada!

Sei que fui medicada com um calmante forte e não me recordo de ter chegado a casa , sei que estava com o meu marido , mas nem me lembro de ter deixado os meus filhos com os meus avós , pois eles eram muito pequenos nessa altura .

Parece que o meu cérebro eliminou aquele momento de sofrimento da minha memória , deixando espaços temporais vazios sem recordações , acreditem que é muito estranha esta sensação !

Não irei descrever os momentos seguintes , nem os dias a seguir , esses eu lembro me muito bem , mas não irei reviver momentos que me causam tanto sofrimento até hoje.

Sei que no dia 4 de Março dormi o dia inteiro , e recordo me bem da primeira sensação e pensamento , que tive ao acordar …Era mesmo verdade , não tinha sonhado e senti a solidão crescer dentro de mim , assim como o desamparo e novamente o desespero.

Durante algum tempo , fiz algo que não se deve fazer , ia com muita frequência ao cemitério , visitar a sua campa , eu ia com a falsa esperança de encontrar ali as respostas para as minhas perguntas e talvez diminuir a minha raiva , que era muito grande .

Mas não encontrei nada , a não ser a dura realidade e cada vez que olhava para aquela campa , chorava , e revoltava me ainda mais com tudo e com todos . Não queria que ninguém fosse comigo quando lá ia , porque nunca gostei de chorar á frente de ninguém , existem momentos que são só meus e aquele era um deles !

Perdi a conta das vezes que pedi aos céus mais uma oportunidade de estar com ele, e eu sei que era isso que me levava a visitar a sua campa , encontra lo , sim eu sei uma perfeita e enorme estupidez da minha parte , mas era o desespero e a dor da perda a falarem mais alto.

Não tenho razões para ter remorosos , fiz tudo ao meu alcance para que o meu tio enquanto esteve vivo , senti se que o amava , mas nunca será fácil dizer aquele adeus definitivo , aquele que sabemos que é mesmo uma despedida!

E a minha fase de negação durou ainda uns anos , durou até ao ano que fui operada a primeira vez e a minha doença finalmente foi declarada e diagnosticada , curiosamente em Março de 2004 .Após ter feito uma histerectomia (remoção do útero), porque tinha um cancro no colo do útero , aos 26 anos , prometi a mim mesma ter mesma coragem ,que o meu tio teve durante dois anos e meio que lutou contra o cancro do pulmão !

Fui avisada pelo médico que me salvou a vida nessa altura , que a minha luta , que a minha jornada apenas tinha começado e que teria que ser corajosa para enfrentar aquilo que me esperava até ao resto da minha vida , e a verdade surpreendente é que apesar de tudo , de todas as batalhas que já enfrentei e continuo a enfrentar , ainda estou cá viva !

Porque será?!….

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